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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

TripAdvisor para de vender pacotes de viagens para locais que exploram animais.



Uma excelente notícia para alegrar nossos corações tão sofridos neste mundo aonde a exploração de atrações turísticas envolvendo animais viraram motivo e cenário para selfies e fotos alegres.

A gigante do turismo online TripAdvisor declarou publicamente que não mais venderá pacotes turísticos que envolvam contato de turistas com animais, estejam eles em cativeiro, em vida livre, em parques ou tanques.
Incluem se nessa decisão também animais em risco de extinção.

Aqui mesmo em nosso modesto blog temos uma postagem campeã de acessos sobre o famigerado zoológico de Lujan e a certeza de que muitos que acessaram a matéria devem ter mudado de ideia sobre conhecer o local que fica na Argentina.

Essa mudança se deu graças a má repercussão de determinadas atrações desnudadas em publicações onde sites e blogs como este nosso aqui  expuseram ao público as crueldades que as envolviam.
Como exemplo foram citados passeios em elefantes onde se expôs ao público que estes animais  jamais permitiriam que alguém os montasse se não tivessem sido duramente "adestrados" ainda na infância para aceitar essa imposição. 
Golfinhos sequestrados dos oceanos para viver uma vida de dor, sofrimento, fome, doenças e tristeza fazendo shows em tanques e aquários também fizeram parte da exposição.

Também falamos nisto por aqui e em várias manifestações das quais participamos desde 2010 sobre o que ocorre na cidade de Taiji no Japão, aonde ocorre a matança e a captura destes seres tão especiais.
Enfim tudo o que envolve a exposição, a exploração e a manipulação de animais um dia fará parte de um passado onde a brutalidade e a crueldade significará um legado a ser enterrado.

O posicionamento da empresa veio após meses de reuniões da Ong internacional PETA ] juntamente com a Association of Zoos and Aquariums (A.Z.A.), Global Wildlife Conservation (G.W.C.)
"Essa decisão da TripAdvisor merece aplausos e com certeza será um marco no caminho da conscientização" afirmou afirmou Stephanie Shaw da PETA.

A empresa também anunciou a criação de um portal voltado para a educação e conscientização, que terá como  parceiros organizações top de proteção animal. Um dos objetivos do portal será alertar turistas sobre atrações que envolvem o contato com animais e dar destaque a questão de bem estar animal.
"Acreditamos que no final os turistas poderão tomar decisões baseados em informações e dados que permitirão a eles fazer escolhas melhores e também comentários mais apropriados sobre as atrações visitadas em diferentes países" declarou o co fundador executivo da empresa TripAdvisor, Stephen Kaufer.

Só no Facebook a empresa possui cerca de 10 milhões de visitantes e em seu site possui cerca de 700 mil atrações turísticas expostas o que com certeza resultará em um grande impacto neste setor. 

Fonte - https://goo.gl/5kGzLV 


Nota:-
Com certeza essa mudança de atitude por parte da TripAdvisor não acabará com a exploração de animais pelo turismo, mas representa um enorme avanço em busca do fim deste tipo de atração. 
Todos nós, ativistas, ou pessoas comuns apaixonadas pelos animais, e as empresas de turismo éticas, teremos que continuar lutando para mostrar a verdade por trás deste mercado.
Não podemos deixar de citar também uma campanha muito boa da Ong Proteção Animal Mundial contra a exploração de animais silvestres.








segunda-feira, 11 de abril de 2016

Caso do pitbull morto em onibus da Viação Andorinha. Bagageiro é lugar de bagagem.

Foto internet

Na semana passada um caso deixou a todos nós que amamos e defendemos os animais estarrecidos!!!
Um pit bull que havia sido transportado no bagageiro de um ônibus da Transportadora Andorinha entre  Campo Grande para Corumbá veio a óbito e nos deixou perplexos ao tomarmos conhecimento de que essa prática é comum em nosso país.
Pelo que consta este animal já vinha de uma longa viagem e seus proprietários eram bolivianos e não quiseram prestar queixa.
Muitos estão questionando se de fato a empresa errou, se poderia transportar o animal em um bagageiro e se não irá ser punida. Então resolvemos dar uma pesquisada.
Na matéria do jornal Correio do Estado o gerente da filial Andorinha em Corumbá também alega que a responsabilidade não é da empresa e sim do proprietário do animal.
Nesta declaração o mesmo gerente afirma também que a legislação foi cumprida de acordo com os órgãos reguladores deste setor - Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos (Agepan).

Pois bem. Vejam o que conseguimos e tentem localizar aonde está escrito que animais, sejam cães, gatos ou silvestres podem ser transportados em um bagageiro, sem ventilação, próximo ao asfalto escaldante, com eventuais gazes dos escapamentos infestando o compartimento e não encontramos aonde isso está.

Gostaríamos inclusive que a empresa Andorinha entrasse em contato com o nosso blog e nos surpreendesse indicando aonde está essa norma, mesmo porque chegamos a nos sentir incompetentes por não termos conhecimento de que essa forma de se transportar um ser vivo pudesse existir em nosso país!!!

Atentem para este primeiro print do DECRETO Nº 2.521, DE 20 DE MARÇO DE 1998 da ANTT :



Para quem quiser segue o pdf do decreto 2.521 completo - http://goo.gl/zzqow8

Da mesma forma também não conseguimos encontrar em nenhum artigo ou parágrafo da citada Instrução Normativa nº 18 de 18/07/2006 / MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento aonde cita a possibilidade para não dizer obrigatoriedade de se transportar animais vivos em bagageiros - https://goo.gl/Nf1Yyf

Em um trecho da matéria cita se o  GTA (Guia de Trânsito Animal). Mas aonde está escrito que um animal poderá ser transportado em um espaço sem ventilação, sem controle de temperatura e ainda sedado?



Nota:
Desculpe se não citamos o nome deste animal vitimado, mas não conseguimos encontrar em nenhum lugar.
Triste saber que ele morreu em sofrimento e que os descaso com seres indefesos é tanto, que mesmo uma grande empresa que poderia dar exemplo de respeito para com um animal,  não se responsabiliza pela forma como serão transportados.






quarta-feira, 2 de março de 2016

"Farra do Boi". Até quando Santa Catarina permitirá este crime?


Não devemos permitir que seja descrito como festa. Não podemos admitir que seja denominado farra. Não devemos jamais aceitar que citem a palavra "tradição".
Simplesmente porque o que ocorre em algumas localidades de Santa Catarina é criminoso.
O fato de que os animais que por um azar caiam nas mãos dos psicopatas descritos como "farristas" se tornem vítimas das piores torturas e crueldades, e sofram durante dias e dias sem direito a qualquer compaixão ou piedade é uma tremenda vergonha para um estado que tem uma natureza tão privilegiada.

Buscando mais informações encontramos a descrição do "tratamento" dispensado aos bois que segundo ativistas pelos direitos dos animais muitas vezes são "doados" aos seus algozes por políticos locais em troca de votos dos tais eleitores sedentos de sangue e de dor.
Que ótima linha para uma investigação do Ministério Público já que isso não é segredo para ninguém não é mesmo?
Seriam adquiridos com dinheiro público?
Quem os adquire e onde?
Como chegam aos seus algozes?
Quem os transporta?
Enfim nada que seja impossível de se descobrir apesar de que muitas vezes o animal não possui identificação ara evitar justamente que possa ser rastreada sua origem.

Ficamos sabendo recentemente que existe um promotor que promete endurecer contra estes criminosos.
Temos certeza de que quem tiver estômago para assistir ao vídeo que publicamos vai pedir para que ele atue contra estes criminosos e que pode contar com o apoio de todos para encaminhamento de denúncias.
Dr. Paulo Locatelli - plocatelli@mpsc.mp.br 

Existe também uma questão que precisa ser esclarecida e que há anos levanta suspeitas.
Por que motivo a polícia quando comparece a alguma denúncia vai apenas em uma solitária viatura, o que expõem os policias a agressões dos criminosos que não respeitam nada nem ninguém e torna a ação praticamente uma piada ao invés de inibir a prática criminosa?
Desde 1997 a prática é considerada criminosa em todo o estado de Santa Catarina. Então porque motivo continua a acontecer ano após ano?
Segundo interpretação do STF, a prática é "intrinsecamente cruel, e portanto crime, punível com até um ano de prisão, para quem pratica, colabora, ou no caso das autoridades, omite-se em impedi-la".

Farra do boi em Jurerê Internacional 

Vendo as imagens que circulam pela internet talvez não se consiga avaliar o que de fato ocorre com o boi torturado. Principalmente  por culpa do nome dado a essa prática, fica se com a impressão de que tudo não passa de uma molecagem, daquelas coisas de cidade pequena que alguns ignorantes costumam descrever dando risadas, mas que não vamos nem citar aqui para não dar mais ideias para os psicopatas de plantão.

Animal apreendido pela polícia
Encontramos um material onde se cita ainda a tal "farra?" como tradição que remonta a 200 anos e que foi trazida para o Brasil pelos açorianos que nos dá  a terrível constatação de que este fechar de olhos das autoridades para os crimes cometidos durante a quaresma e a Páscoa no estado de Santa Catarina, é no mínimo de causar náuseas e muita revolta.
Abaixo trecho da matéria do site  http://www.infoescola.com/folclore/farra-do-boi/ onde se descreve a tortura e a agonia imposta aos bois:

"A tortura começa alguns dias antes da festa, quando o boi é isolado e deixa de ser alimentado. Quando o animal está a dias sem comer, são colocados comida e água próximos a ele, de forma que ele possa ver mas não possa alcançar, ficando desesperado.
No dia da Farra, o boi é solto pelas ruas, onde as pessoas aguardam portando os mais variados instrumentos para ferir o boi, como por exemplo, pedaços de pau, pedras, chicotes, facas, cordas e lanças.
Outras formas utilizadas pelos “farristas” para ferir o boi são: cortar o rabo do boi, quebrar suas patas e cornos, jogar pimenta nos olhos dos boi, arrancar os olhos, introduzir um pedaço de madeira ou vidro em seu ânus, banhá-lo em óleo quente ou ainda encharcá-los de combustível e atear fogo.
Algumas vezes, o boi é perseguido até encontrar o mar e atira-se, onde morre afogado.
Quando isso não acontece, a tortura pode durar até três dias, mesmo porque os “farristas” tomam “cuidado” para que a farra dure mais.
Somente ao perceber que o boi está próximo de morrer, os “farristas” o matam e dividem a carne. A crueldade costuma acabar com um churrasco."

Dispensa legenda
Entenderam agora porque não podemos admitir que isso seja chamado de "Farra"?
Abaixo um vídeo que nos dá ideia do sofrimento de um animal vitimado pelos tais farristas.












quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Juíza do Paraná proíbe “prova do laço” e afirma - É covardia!!!


Foto de: Thiago Piccoli 

 
  



Por Patrícia Cordeiro - 15/09/2015 -

O Ministério Público do Estado do Paraná interpôs Ação Civil Pública com a finalidade de impedir a realização de evento que cause maus tratos em animais (sedéns de qualquer espécie, natural e material, esporas de qualquer tipo, corda americana, choques, peiteiras, barrigueiras, sinos, laços e outros). Alegou que em rodeios e provas de laço são comuns práticas que tratam os animais de forma cruel, causando-lhes sofrimento físico e mental. Requereu que fosse proibida durante a “IV Festa do Laço Comprido”, realizada no Município de Rosário do Ivaí/PR, qualquer prática que resulte em sofrimento animal desnecessário, nos termos: “uso de todo e qualquer subterfúgio capaz de provocar nos animais sofrimento atroz e desnecessário, como sedém ou objetos pontiagudos ou cortantes ou causadores de lesões, peiteras, sinos, choques elétrico ou mecânico e esporas de qualquer tipo, impedindo, ainda, a realização de provas tais como calf roping, team roping, bulldogging e vaquejadas, ou outras que impliquem variações no que tange às técnicas de laçada, lançamento ou agarramento de animais, bem como outros eventos semelhantes que envolvam maus-tratos e crueldade a animais”. Ao final pugnou pela antecipação da tutela pretendida.

A juíza Fernanda Orsomarzo deferiu o pleito do Ministério Público e afirmou que o ordenamento jurídico brasileiro é pífio em matéria protetiva, acabando por reproduzir perversa lógica de dominação e “coisificação” de animais. Asseverou: “A instrumentalização dos animais é verificada, dentre outras situações, na indústria do entretenimento, como circos, rodeios, zoológicos, etc. Sob o pretexto da diversão e da cultura, o homem, autointitulado “ser racional”, impõe aos demais seres toda sorte de humilhação, penúria e dor.” A magistrada ainda citou a Declaração Universal Dos Direitos dos Animais, que dispõe que os animais não devem ser utilizados para o divertimento humano, e que os espetáculos e exibições são incompatíveis com a dignidade animal.
Destacou que a questão não está em considerar se os animais são capazes de raciocinar ou falar, mas se são capazes de sofrer. E finaliza: “Nesse interim, “cultura” que subjuga e instrumentaliza vidas, camuflando os mais escusos interesses financeiros, não é “cultura”. É tortura. “Diversão” que explora o sofrimento de seres que não têm condições de defesa não é “diversão”. É sadismo. “Esporte” em que um dos envolvidos não optou por competir não é “esporte”. É covardia.“
Com a decisão liminar, restou proibido durante a “IV Festa do Laço Comprido”, o uso de todo e qualquer subterfúgio capaz de provocar nos animais sofrimento atroz e desnecessário, como sedém ou objetos pontiagudos ou cortantes ou causadores de lesões, peiteras, sinos, choques elétrico ou mecânico e esporas de qualquer tipo, impedindo, ainda, a realização de provas tais como calf roping, team roping, bulldogging e vaquejadas, ou outras que impliquem variações no que tange às técnicas de laçada, lançamento ou agarramento de animais, bem como outros eventos semelhantes que envolvam maus-tratos e crueldade a animais. Foi fixada multa diária no valor de R$ 100.000,00, em caso de descumprimento da decisão.

Confira abaixo a decisão na íntegra clicando no link abaixo:




quinta-feira, 31 de julho de 2014

Caso Zoo de Cascavel - Como o acidente com o tigre Hu deveria ser noticiado pela mídia.


Capturas de imagem mostram o prenúncio da tragédia.

Não é segredo para ninguém que o movimento de defesa animal em todo o mundo vem criticando e se posicionando cada vez mais contra os zoológicos, aquários, circos e toda a forma de confinamento e exploração de animais pelo mundo afora.
Aqui no nosso blog temos feito várias postagens denunciando e apoiando essa luta, mostrando que é mais do que urgente a necessidade de mudanças na forma de manter e explorar estes animais. Seja vendendo entretenimento em shows patéticos, seja expondo-os ao stress, ao ridículo, ao sofrimento, a falta de convívio com seus semelhantes, ao comércio de espécies entre países e ao confinamento que mata lentamente.  Absurdo saber também que são feitas até mesmo eutanásias de animais saudáveis que não agregam valor no mercado de trocas de espécies, como vimos recentemente no caso da girafinha Marius http://goo.gl/lzO78B
Em uma de nossas postagens afirmamos categoricamente que o passeio ao zoológico tem que acabar. Um excelente material para quem quer entender os motivos deste posicionamento que hoje já é uma das frentes mais fortes do movimento de defesa animal http://goo.gl/RavLD3


Este caso que acaba de ocorrer no zoológico de Cascavel/PR evidencia a forma equivocada como a sociedade vê os animais.  A começar pelos títulos dos principais jornais que estão noticiando o grave acidente com o garoto que teve o braço amputado, como sendo o ataque de um tigre (para quem não sabe mesmo na natureza os ataques de grandes felinos a humanos só acontecem quando eles são privados de seu habitat natural e não conseguem mais se alimentar de outros animais). No geral as notícias reforçam algo que não é verdade. O tigre não atacou o menino....ele sim como animal confinado, indefeso, estressado como é comum acontecer nestes recintos, foi provocado e reagiu de acordo com seus instintos.
Abaixo o vídeo de uma das matérias que estão sendo divulgadas na mídia.




Em primeiro lugar o que se vê pelo Brasil e em muitos países são recintos feitos para que animais fiquem expostos ao público como se fossem criaturas sem direito a vida, a privacidade...direito a existir como um bicho que tem determinadas características comportamentais, que como nós podem de repente acordar sem vontade de ver a cara de ninguém, mas que tem que ficar exposto o dia inteiro escutando piadinhas, gritos, sendo fotografados, filmados, muitas vezes sendo até mesmo vítimas de objetos lançados neles.
Para os leigos pode parecer que estamos exagerando, mas estes animais são expostos como sendo simples objetos inanimados, produtos a serem vendidos em uma vitrine como se não tivessem vida ou  alma.
E nos deixa até doentes ouvir de um dito "criador conservacionista" que vive da exploração dos animais que estes tigres e leões, citados nas matérias, foram gerados e criados para servir apenas para o confinamento. Quantos lucrando as custas de tanta exploração e sofrimento não? 
Isso significa que o bicho passará sua triste e infeliz vida destinado apenas a aplacar a curiosidade de quem resolveu comprar um ingresso para se divertir...sem direito a nada...apenas o direito a uma "não existência".
Evidente também que apesar de existir uma cerca separando o recinto, assim como uma placa alertando para o perigo, bastou  ao garoto pular e colocar a mão para dentro da tela da jaula, e isso nos lembra outro fato que temos questionado aqui: porque toda cidade tem que ter um zoológico se o que vemos na sua maioria dos casos são denuncias envolvendo essas instituições e alegações de que faltam verbas para melhorias e mesmo para cuidados básicos aos animais?
E só para terminar que pais são estes que permitiram a este garoto se comportar dessa forma? onde estavam eles que não impediram esse comportamento? porque criar filhos dando a eles a ideia erronêa de acreditar que tudo é permitido? seria efeito da tal "lei da palmada" amedrontando aqueles que tem por obrigação educar e corrigir suas crias?

Mas só reforçando nossa posição: não queremos jaulas maiores, nem melhores, nem adequadas. Queremos jaulas vazias. 

Nota:
O banner aí embaixo é um dos nossos favoritos e demonstra claramente que estes recintos em nada contribuem para a educação das crianças. Uma imagem vale mais que mil palavras. 















domingo, 13 de julho de 2014

Pra comemorar muito!!! Festas de rodeio em queda de público no Brasil.





Duas matérias do jornal Folha de São Paulo, sobre o mesmo tema chamam a atenção neste domingo. Ambas datadas do dia 13/07/2014 relatam a queda de público nas festas de rodeio em nosso país e também citam  a ação da proteção animal que vem conseguindo impedir que os eventos aconteçam em algumas cidades ou mesmo impedir os que já ocorriam. 
Para nós defensores dos animais é motivo para muita comemoração, pois há anos as Ongs e autoridades que defendem os animais, lutam para diminuir ou acabar de vez com estes eventos que muitos chamam de festa, e que submetem os animais a crueldades, exploração da dor e do sofrimento, e que pelo alto faturamento que propiciam tem o apoio de muitos políticos, artistas, empresas e agencias de publicidade.
Que este seja apenas o início da queda do que alguns chamam de esporte e tradição, e que não passa de um show de horror e de tortura de animais indefesos.
EsquadrãoPet

Entidades de proteção aos animais 'cancelam' oito rodeios no Estado

Além da queda de público, nos últimos anos os rodeios em São Paulo tiveram de driblar também entidades protetoras que pedem o fim das provas com animais.
Atualmente, ao menos oito cidades do Estado, entre elas a capital, têm legislação que proíbe rodeios. Em outras 16, o Tribunal de Justiça proibiu a realização de eventos do tipo, em decisões em primeira e segunda instância e que ainda têm recursos a serem julgados.
O promotor do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente) Laerte Levai disse que os rodeios submetem os animais a práticas não naturais ao ambiente rural e que resultam em maus-tratos.
No entanto, segundo Levai, a legislação deixa brechas de interpretação, o que dificulta a proibição das provas.
"Se não houver uma política ambiental paralela a essas ações na Justiça é 'chover no molhado'. Proíbe um rodeio aqui, mas um novo surge no outro ano ou em uma cidade ao lado", disse.
Para o promotor, a proibição dos rodeios ficou mais evidente e mobilizou a sociedade civil em 2011, após a Folha revelar a morte de um bezerro na festa de Barretos (423 km de São Paulo) durante a prova do bulldog –em que o peão tem de imobilizar o animal com as mãos, sem equipamentos.
Em maio, um acidente com seis cavalos que fugiram de um rodeio de Hortolândia e invadiram uma rodovia também pressionou cidades vizinha a discutirem mudança na legislação. A proibição já foi adotada por Valinhos (85 km de São Paulo).
Os cavalos provocaram um acidente com dez veículos, deixando nove pessoas feridas. Os seis animais morreram atropelados.
Para organizadores das festas, a ação de ativistas contra rodeios foi importante para "aumentar a profissionalização do esporte".
Adriano Moraes, diretor de eventos da PBR (Professional Bull Riders) Brasil, principal circuito do país, disse que a falta de conhecimento sobre as provas e os cuidados com os animais gera uma "polêmica desnecessária".
"Por ser um esporte ligado diretamente à cultura sertaneja brasileira, dificilmente, pelo menos dentro da PBR, um animal será machucado". disse Moraes.
Em Barretos, ONGs e "associações sérias envolvidas na proteção aos animais" são convidadas a conhecer o evento, de acordo com Jerônimo Luiz Muzetti, presidente de Os Independentes.
Fonte: Folha de São Paulo

Para frear queda de público, rodeios buscam diversificar festas
ISABELA PALHARES
RIBEIRÃO PRETO

Com o auge e a expansão dos rodeios no interior entre as décadas de 1990 e 2000, atrelados à popularização do sertanejo, as festas agora buscam diversificar para tentar frear a redução de público.
O problema atinge festas de peão tradicionais, como as de Barretos, Americana, Limeira e Jaguariúna.
A ausência de novidades no meio sertanejo, o novo comportamento de frequentadores, as ações de entidades de proteção animal e até a Copa são motivos apontados pelos eventos para a situação atual.
Com a maior festa do país, Barretos (423 km de São Paulo) estima neste ano 900 mil visitantes em 11 dias de evento. Nos anos 2000, chegou a receber um milhão.
Jerônimo Luiz Muzetti, presidente de Os Independentes, organizador do evento, diz que a "essência" continua sendo o sertanejo, mas afirma que é preciso investir em programação com artistas de outros gêneros.
Neste ano, a festa aposta na funkeira Anitta, no cantor de axé Bel Marques e na banda de pagode baiana Psirico.
O desempenho do rodeio de Americana (127 km de São Paulo) tem assustado organizadores. Pelo segundo ano seguido, teve queda de público. Neste ano, o total (243 mil) foi 30% menor que em 2013 –que já havia sido 14% inferior a 2012.
Apesar de "culpar" a Copa por roubar a atenção da festa entre 14 e 22 de junho, o presidente do Clube dos Cavaleiros de Americana, Roberto Lahr, disse estudar medidas para o próximo ano.
Uma é reduzir o evento, já "encurtado" em quatro dias desde 2012. Mesmo assim, a média de público caiu 10,5% e registrou 30 mil visitantes diários neste ano. "Apesar de nomes como Luan Santana e Gusttavo Lima ainda renderem público, não são mais uma grande novidade."
Marcelo Coghi, presidente da festa de Limeira (151 km de São Paulo), que em 2013 teve público de 140 mil, 12,5% menos que em 2012, já reduziu de sete para seis dias para concentrar atrações e manter o público, que "prioriza conforto e qualidade".
"As pessoas preferem vir um dia, ficar no camarote e beber uísque do que vir todos os dias e ficar na pista", diz.
Jaguariúna (123 km de São Paulo), que atraiu 100 mil pessoas nas últimas festas, mudou a data para setembro, mês do aniversário local. A organização será em parceria com a prefeitura, para tentar atrair mais público.
José Leonardo do Nascimento, docente da Unesp especializado em cultura caipira, disse que o declínio de público mostra que o modelo não representa tradições do caipira brasileiro. "Assim como outras cópias que fizemos da cultura americana, o rodeio atingiu seu auge e hoje já não exerce atração."
Fonte: Folha de São Paulo 





quinta-feira, 29 de maio de 2014

Zoológicos. Um passeio que tem que acabar.





Já repararam que nos últimos anos, raramente se passa uma semana sem que tenhamos alguma denúncia referente a maus tratos ou mortes em zoológicos pelo mundo afora? Aqui mesmo no nosso blog temos acompanhado o caso do zoo de Araçatuba,  que em 11 anos deixou morrer cerca de 300 animais segundo notícias que foram divulgadas na mídia.
São notícias que deixam a todos que amam os animais com a sensação de que algo muito grave está acontecendo pelo mundo e que é necessário uma mudança radical na forma como estes recintos ainda são retratados com o objetivo de educar e desenvolver nas crianças o amor e o respeito pelos animais.
Temos que concordar que ao nos colocar acima dos outros animais quando nos referimos ao direito deles estarem na natureza nos excluímos e fazemos parecer que estamos em outro patamar no planeta.
Até quando iremos nos portar como seres superiores aos demais seres que habitam a Mãe Terra? até quando vamos fingir que não percebemos a triste situação destes confinamentos? sejam em zoos, gaiolas, tanques ou aquários. Não somos especialistas ou técnicos, para poder expor aqui tudo o que temos  presenciado ultimamente, então vamos reproduzir um texto que já foi publicado no ANDA - Agencia de Notícias de Direitos dos Animais e que consideramos muito bom. A nossa parte como ativistas e defensores dos animais é fazer com que mais e mais pessoas venham a ter conhecimento do que realmente deve ser questionado em relação a essa imagem distorcida de que os animais confinados estão felizes ao serem expostos como objetos em uma vitrine.
EsquadrãoPet


Marcela Teixeira Godoy
Bióloga e Professora Universitária.

Como bióloga e educadora, sempre acreditei nos zoológicos como ferramenta deseducativa.
Meu repúdio a esse tipo de atividade fez com que eu me afastasse, durante anos, de uma visita a esses verdadeiros redutos de infelicidade animal. Tive a oportunidade de fazer uma visita técnica a alguns desses redutos recentemente (há menos de uma semana, para ser mais exata). Assim como a aquários, oceanários, serpentários e afins. Foi um tour dos horrores, considerando toda minha aversão a qualquer forma de confinamento animal para a satisfação de egos humanos.
Mas, com o passar do tempo, minha aversão, que antes era representada pela negação, foi substituída pela coragem de encarar os fatos como eles são: os animais sofrem. Ao nosso lado. Todos os dias. E nos fazem, a todo o tempo, um apelo silencioso. Não é possível ignorar essa realidade pelos melindres de não querer sofrer, de não querer olhar.  O sofrimento deles é infinitamente maior.
Nessa visita técnica, foram incluídos locais aos quais os visitantes “comuns” não têm acesso, como cozinhas, biotérios, áreas de cuidados veterinários etc. Fui convidada por uma colega de trabalho a conduzir com ela (que também não é fã de zoológicos) a visita (sou professora universitária) e temos uma turma em comum, a qual nos acompanhou. A curiosidade de saber a quantas anda a exploração legitimada dos animais que tiveram sua liberdade sequestrada, na prática foi um dos fatores que me levou a decidir ir.
Outro fator importante foi a certeza de ter minhas concepções biocêntricas renovadas. Mesmo à custa do meu sofrimento. Banal, como já mencionei, perto do sofrimento de inúmeros animais que lá encontrei.  Antes de “ver” os animais e durante as “visitas”, em todos os locais, há uma explanação teórica/logística por parte dos monitores. Parece que são treinados todos no mesmo lugar, pois as frases feitas a respeito do bem-estarismo animal são quase idênticas. Tais explanações me remetiam inevitavelmente ao Ensaio sobre a Cegueira, de Saramago. Pensava: as pessoas estão mesmo acreditando nisso? (Acho que vou escrever um Ensaio sobre a surdez). Outro pensamento recorrente: na ocasião de uma palestra do Seminário da Agenda 21, no Paraná, em 2009, a filósofa Sônia Felipe mencionou a seguinte frase: “bicho não é vitrine de shopping”. Considerei extremamente relevante. Me fez pensar além.
Zoológicos com objetivos de recuperação e reintrodução de espécies no meio, sem exposição ao público, que respeitam o que o animal nasceu, de fato, para ser, merecem nosso reconhecimento. Não são, infelizmente a maioria deles. A maioria ainda se baseia em concepções especistas e antropocêntricas para justificar sua existência e consequente sofrimento animal. Algumas falácias são facilmente identificadas no discurso daqueles que defendem o zoológico “vitrine” como “ferramenta educativa”. Aliás, podemos, sim, fazer dos zoológicos, ferramentas extremamente educativas se mudarmos a análise e a perspectiva. Analisando sob a ótica da ética biocêntrica, podemos enumerar algumas falácias que são repetidas como mantras a respeito dos animais confinados. Vamos a algumas delas:

- “O Zoológico é importante porque nós devemos conhecer as espécies para preservar/respeitar”.
Essa concepção traz embutida a desculpa de que só é possível preservar uma espécie a partir do momento em que a conhecemos. Se a concepção biocêntrica predomina, o simples fato de o animal existir já é um pressuposto que justificaria o respeito por ele. E só. Eu não conheço nenhum africano, por exemplo, mas não preciso fazê-lo para só depois respeitá-lo. Nunca conheci um urso-polar, um tigre de bengala, uma perereca amazônica ou uma orca. Mas o fato de não vê-los ao vivo não me impede de respeitá-los pela sua essência.

- “O Zoológico é imprescindível para estudarmos o comportamento dos animais”.
Só se for para estudar neuroses de cativeiro. Qualquer pessoa com noções básicas de biologia sabe que o comportamento de animais em cativeiro não é o mesmo que o animal apresentaria no seu meio natural. Tenho muito respeito por estudos comportamentais. Mas por aqueles que são feitos no habitat natural do animal. Esse argumento não sustenta a existência desse tipo de zoológico.

- “O Zoológico é importante para a reprodução e para salvar as espécies”.
Primeiro: a maioria dos animais reproduzidos em cativeiro é reproduzida para esse fim: permanecer em cativeiro. Não para ter devolvido o que lhe foi negado desde as gerações anteriores: sua liberdade. Há, entre os zoológicos, uma espécie de escambo de espécies, onde os animais são intercambiados. Faltou uma girafa no zoológico “x”? Já está nascendo uma no Zoológico “y”. Será separada de sua mãe e destinada ao zoológico “x” como animal de exposição. Segundo: privado da convivência com seus iguais e de todas as interações que lhe são possíveis em seu meio natural, ele não é mais do que a sombra dos seus ancestrais.

- “Mas os animais que nasceram no zoo não sofrem porque não conhecem outra vida”.
 Será que o fato de esse animal ter nascido em cativeiro nos dá o direito de usurpar sua liberdade mais uma vez e condená-lo a uma vida miserável, privando-o da sua verdadeira liberdade?
Se houver uma “visita ao zoológico”, com propósitos educativos, que sejam feitas pelo menos as seguintes perguntas e investigações com os alunos: qual o habitat natural desses animais? Quais os hábitos desses animais em seu meio natural? Geralmente são: nadar, correr, voar quilômetros por dia, procurar comida, defender seu território, interagir com outras espécies e com seus iguais. E em cativeiro? Quais as mudanças percebidas? Quais os impactos nefastos nos seus hábitos? Quais as consequências? Um pequeníssimo exemplo, entre tantos que presenciei: um leão-marinho em seu habitat natural viaja centenas de quilômetros por dia. Em cativeiro, é condenado a viver em um pequeno tanque, onde passa o dia circunscrevendo voltas como que para escapar da escravidão sem fim. Sem falar na obesidade e outros transtornos de comportamento como as já mencionadas neuroses de cativeiro. Isso nos reporta à falácia seguinte:

- “Aqui no zoológico fazemos o enriquecimento ambiental”.
Esse novo modismo nos zoos (proveniente de um modelo americano) traz em sua proposta a introdução de diferentes estímulos no cativeiro para que animais não desenvolvam comportamentos repetitivos e neuróticos como automutilação, coprofagia etc. Certamente, estímulos são melhores que a estagnação a que esses animais são condenados. Mas deve-se sempre questionar: a reabilitação e a devolução da liberdade que lhes foi negada não seria infinitamente melhor? O tão prestigiado enriquecimento ambiental não seria mais um engodo para justificar a perpetuação do cativeiro e de interesses escusos?

- “Hoje não existem mais jaulas nos zoológicos”.
Ouvi diversas vezes essa frase dos monitores que nos acompanharam. Em vários lugares. Basta uma breve visita para, novamente, a perplexidade ao comparar o dito e o constatado ser inevitável. O ápice do menosprezo à inteligência dos presentes. Percebe-se, claramente a existência de cercados mínimos de aço, alumínio, terrários, aquários e paredes de vidro fazendo as vezes de jaulas. Mas pergunto: não seria infinitamente melhor que jaulas, aquários, terrários e afins estejam para sempre, vazios?

- “A alimentação é balanceada”.
Isso pode soar muito bem aos ouvidos antropo e ecocêntricos. Mas nos ouvidos biocêntricos e abolicionistas dói. Até fisicamente. Uma frase que ouvi da monitora: “Os zootecnistas que trabalham no zoo e cuidam da alimentação dos animais acham que os psitacídeos silvestres são uns chatos porque são muito exigentes, não comem qualquer coisa”. Ora, o que diriam os psitacídeos se falassem? “Chato” seria um adjetivo no mínimo elegante para qualificar quem os trancafia em um viveiro, obrigando-os a uma “loteria gastronômica”, forçada e diferente de sua alimentação natural.
E nem tecerei aqui comentários a respeito do estresse gerado para o animal decorrente das barulhentas “visitas”. É desnecessário.
Os animais em zoológicos são a ponta do iceberg dessa empresa. Por trás há inúmeros fatores que formam uma cadeia de horrores para outras espécies também. Uma delas é a existência de biotérios, terceirizados ou dentro dos próprios zoos, que são lugares específicos onde são criados animais vivos para alimentar os animais cativos. No Brasil são criados, para esse fim, ratos, porquinhos-da-índia, gansos, pintinhos etc.
Esses seres vivos, considerados “alimento” no contexto, são manipulados, criados e administrados com a naturalidade de quem dá uma banana a um macaco. São “coisas” como regem os preceitos do antropocentrismo e do especismo. Os ecocêntricos dirão que é muito boa essa preocupação com a alimentação dos animais. E que não há dilemas morais, pois na natureza existe a relação predador/presa. Sim. NA NATUREZA. Mas, novamente a pergunta que se deve fazer é: Não existir animais enjaulados não seria infinitamente melhor?
Outro fenômeno que ocorre na maioria dos zoológicos e, confesso, para mim é novidade: a distinção entre “animais em exposição” e “animais excedentes”. Os animais em exposição (no contexto, como se fossem agora, peças de uma galeria de arte) são aqueles que o público enxerga. Aliás, a maioria deles é recolhida à noite, gerando mais estresse. Os “animais em exposição” ficam nas partes divulgáveis do zoo.
Nas áreas que estão longe dos olhos do público, existem pequenas jaulas com os “animais excedentes”, ou seja, os que sobraram da reprodução em cativeiro, ou de trocas com outros zoológicos. Ou até mesmo os animais doentes ou que desenvolveram a (novamente ela) neurose de cativeiro. Claro que não é conveniente que o público tenha contato com comportamentos como automutilações, coprofagia, canibalismo e outros desenvolvidos em animais privados de sua liberdade. A visão desses comportamentos pode começar a atenuar a “cegueira conveniente” do grande público. Não é recomendável.
Nessas áreas, até são permitidas visitas técnicas. Mas são terminantemente proibidas fotos e filmagens, por razões óbvias aos olhos da ética biocêntrica. Uma das monitoras, quando questionada sobre o porquê de as fotos serem proibidas, disse não saber. Fiquei me questionando se a resposta foi estratégica, se foi repetida como mantra, se ela simplesmente não se importa, ou se a cegueira a acomete também. Nas áreas dos “animais excedentes”, foi possível observar em vários zoológicos que o espaço em que os animais estão confinados é bem menor que o dos animais “em exposição”. Logo nos perguntamos: o que dizer da preocupação com o “bem-estar animal”, ou com “enriquecimento ambiental” para os animais dessas áreas? Também não obtive respostas convincentes. Só evasivas. Não insisti mais porque as respostas ficaram óbvias demais.
Na esteira dos zoológicos, seguem aquários, serpentários, oceanários, circos, projetos de “preservação” etc. que, pela tradição antropocêntrica, possuem um propósito educativo “inquestionável”. Mas basta um breve passeio, com esse olhar biocêntrico, diferente do que nos foi imposto a acreditar a vida toda, para que o apelo silencioso e profundo de cada animal se faça presente e toque fundo nossa alma toda vez que visitarmos um zoológico ou algo semelhante. Essas mudanças de perspectiva, segundo Arthur Conan Doyle, equivalem a uma conversão religiosa: nada mais será visto da mesma maneira que era antes.
Mesmo com todas essas “justificativas”, que sob minha perspectiva não passam de falácias, ainda acredito que o “simples” fato de um animal ter sua liberdade restringida, impedida, sequestrada para a concepção medieval de satisfazer as curiosidades e prazeres humanos, é a base do meu repúdio a esse tipo de exploração, sem mais considerações.
Mas a esperança se renovou quando vi a reação da maioria dos meus alunos, acadêmicos de Licenciatura em Ciências Biológicas, durante a visita. Quando ouvi, em cada comentário, a indignação, a revolta e a preocupação de fazer uma abordagem ambiental realmente crítica na escola. Quando vi em cada rosto a angústia pelos animais e a cegueira se dissipando, pensei: é um trabalho que vale a pena. Pois não deixo de mencionar em minhas aulas a importância de se olhar o outro lado. Por isso acredito na chamada Educação Ambiental Biocêntrica. E libertária. Com as pessoas livres para optar pelo modelo de ética que pautará sua passagem pela Terra. E essa escolhameus alunos fizeram por si. Não foi imposta. Em sua formatura, não farão de seu juramento outra falácia:
“Juro, pela minha fé e pela minha honra e de acordo com os princípios éticos do biólogo, exercer as minhas atividades profissionais com honestidade, em defesa da vida, estimulando o desenvolvimento científico, tecnológico e humanístico com justiça e paz”. (enunciado regulamentado pelo Conselho Federal de Biologia – Decreto nº 88.438, de 28 de junho de 1983). “Defesa da vida” e “justiça e paz”, entende-se, para todas as espécies.
Enquanto houver zoológicos, aquários, serpentários do tipo “vitrine”, espero que existam educadores como meus alunos (que ainda não se formaram, mas já são biólogos de coração), capazes de fazerem com seus alunos excursões a esses verdadeiros infernos (para os animais), capazes de realizar essas visitas com vistas à ação.  Capazes de conduzir uma discussão sob outra ótica, sob outra ética.