Não conseguimos encontrar a data, mas segundo informações de um outro blog essa entrevista equivocada e preconceituosa está no site do
desde 2006.
Ela dissemina informações equivocadas e altamente prejudiciais aos felinos domésticos, chegando a afirmar que se uma visita sentar no sofá de uma casa onde eles habitam poderá sair infectada.
Absurdo ainda encontrarmos essa publicação, porque na época houve um forte movimento esculhambando com essa postagem cheia de preconceito e ignorância assinada por um infectologista e publicada por alguém que tem amplo acesso a mídia, mas mesmo assim fomos avisados de que ela continua online. Vamos pedir que seja deletada?
E se alguém ainda tem dúvidas sobre os principais transmissores da Toxoplasmose no final de nossa postagem tem link para um ótimo texto e um vídeo com uma ótima animação sobre o tema.
Toxoplasmose
é uma doença infecciosa de características muito variáveis. Também
conhecida como doença do gato, pode ter implicações sérias para o feto
quando adquirida durante a gravidez.
Em muitos casos, os sintomas da
toxoplasmose podem não se manifestar ou serem confundidos com os de uma
gripe e a pessoa nem fica sabendo que se infectou. Noutros, os sintomas
incluem febre diária, gânglios intumescidos e espalhados pelo corpo,
mas a doença regride em algumas semanas, embora possa voltar se houver
queda de resistência, porque o
Toxoplasma gondii não é eliminado do organismo.
No entanto, se a imunidade estiver realmente comprometida, como ocorre
nos pacientes com AIDS, por exemplo, há um tipo grave de toxoplasmose, a
neurotoxoplasmose, que pode ser fatal se não for diagnosticada e
tratada adequada e precocemente.
AGENTE DA TOXOPLASMOSE
Drauzio –
Quais são as principais características do Toxoplasma gondii, o agente da toxoplasmose?
João Silva de Mendonça – O
Toxoplasma gondii é
um protozoário, genericamente chamado de parasita, que está amplamente
disseminado por quase todo reino animal. Aves, pássaros, mamíferos,
inclusive os humanos, podem ser infectados por ele e manifestar uma
doença de características mais sérias ou mais leves.
Drauzio -
Como adquirimos esse parasita?
João Silva de Mendonça – Existem duas maneiras bem conhecidas de aquisição do
Toxoplasma
gondii.
Uma delas ocorre em ambientes onde existam gatos, os grandes
disseminadores do parasita na comunidade ambiental. Gatos infectados
eliminam os ovos desse protozoário pelas fezes, poluem o ambiente e
contaminam quem por ali circula. Não é necessário entrar em contato
direto com eles, basta dividir os mesmos espaços. Imaginemos, por
exemplo, alguém que detesta gatos e vai visitar um amigo que tem um
animal desses em casa, mas que o tranca em outro aposento para que nem
chegue perto do visitante. No entanto, ele se senta numa poltrona onde o
gato esteve deitado e sem querer leva a mão à boca. Pronto, está
fechado o circuito microscópico: a partir da poluição ambiental
provocada pelo gato, o parasita infectou o ser humano.
Drauzio –
Mesmo os gatos bem cuidadinhos que vivem em apartamentos?
João Silva de Mendonça – Mesmo eles, porque podem adquirir o
Toxoplasma gondii através
da alimentação. Mamíferos infectados possuem microcistos, isto é,
formas residuais do parasita, invisíveis a olho nu, mas presentes em
seus músculos. Dependendo do mamífero, sua carne pode ser usada como
alimento, tanto de gatos quanto de homens, e estará fechado o circuito.
No estômago e nos intestinos, o protozoário é liberado e dissemina a
infecção pelo ambiente. Essa é a segunda maneira pela qual se pode
adquirir o parasita.
Drauzio –
O gato não precisa estar doente para transmitir o protozoário?
João Silva de Mendonça – O gato habitualmente não adoece. Aparentemente está saudável, mas eliminando o protozoário pelas fezes durante certo período.
Drauzio – E os cachorros também transmitem essa doença?
João Silva de Mendonça – O cachorro pode ter toxoplasmose como os homens, só que não é um eliminador fecal. Apenas os felídeos são transmissores do
Toxoplasma gondii e
o gato é um transmissor importante porque é um animal domiciliado. É
obvio que um tratador de onça no zoológico pode adquirir a doença desse
felídeo que também é eliminador fecal do parasita.
Drauzio –
Uma vez infectado, o gato transmite o parasita a vida inteira.
João Silva de Mendonça –
Não. O gato é infectante apenas durante o período em que o ciclo do
protozoário está se realizando. Depois, passa a ter apenas as formas
residuais em seus músculos.
Drauzio – E os pombos, que perigo representam?
João Silva de Mendonça – Quando não se conhecia bem o ciclo biológico do
Toxoplasma gondii, havia
a preocupação de que os pombos pudessem transmiti-lo. Na verdade, na
fase adulta, quando o pombo está doente, pode eliminar o protozoário
pela secreção dos olhos, mas haveria a necessidade de um contato muito
íntimo com a ave para fechar o ciclo. Por isso, pombos não são
considerados uma forma importante de disseminação do parasita.
RISCO NA GRAVIDEZ
Drauzio –
Muitos
obstetras recomendam que as mulheres grávidas não comam carne crua ou
mal passada durante a gravidez com medo de que peguem toxoplasmose. O
que representa essa doença durante a gestação?
João Silva de Mendonça – A realização do exame de toxoplasmose faz parte de um conjunto de exames rotineiros de assistência pré-natal.
Resultado negativo indicando que a mulher nunca teve contato com o
parasita reflete uma situação de potencial preocupação, porque se ela se
infectar durante a gravidez poderá transmitir o parasita para seu
concepto e a criança nascerá infectada. Nesse caso, é de fundamental
importância recomendar que a mulher não vá a lugares frequentados por
gatos e não coma carne crua, mal cozida ou mal passada para evitar que
adquira a infecção durante a gravidez.
Resultado positivo indicando
toxoplasmose antiga e curada traz tranquilidade total, pois a mulher
está protegida contra a doença e não vai adquiri-la outra vez.
Drauzio –
Esse exame permite distinguir a toxoplasmose atual da cicatriz de uma doença pregressa?
João Silva de Mendonça –
Permite. Embora incomum, o mais assustador é quando o exame revela que a
gestante está doente naquele exato momento, pois a transmissão
congênita do parasita pode provocar uma lesão destrutiva no feto com
sequelas importantes para o recém-nascido no futuro.
Drauzio –
Que tipo de problemas gera a transmissão congênita do Toxoplasma gondii?
João Silva de Mendonça – Os problemas variam de acordo com o trimestre da gravidez em que ocorre a infecção materna.
No primeiro trimestre, se a mãe está com a doença ativa e há a
transmissão para o concepto, o estrago é muito grande. A criança pode
ter encefalite e nascer com as sequelas da doença, ou apresentar lesões
oculares cicatriciais e prejuízo importante da visão, entre outras
consequências. É bem verdade que, nessa fase, não é incomum o
abortamento espontâneo tal o tamanho dos danos que o parasita provoca no
concepto. De qualquer maneira, nesse período, a probabilidade de
transmissão para o embrião é menor, não ultrapassa a 10%, 20% dos casos.
No segundo trimestre, a transmissão ocorre em 1/3 das gestações em que a
mãe apresenta a doença ativa, mas o feto consegue conviver
razoavelmente com as agressões do parasita que serão mais atenuadas,
embora possam ocorrer pequeno retardo mental e problemas oculares, por
exemplo.
No terceiro trimestre, a transmissão da mãe para o feto é
muito comum, mas a doença se mostra mais benigna e muito menos
problemática para o recém-nascido.
Resumindo: do começo para o final
da gravidez, cresce o risco de transmissão do parasita da mãe para o
feto, mas diminui a gravidade da doença para o recém-nascido.
TRATAMENTO DURANTE A GRAVIDEZ
Drauzio –
Poucas
são as drogas que podem ser utilizadas com segurança durante a
gravidez. Como o tratamento da toxoplasmose envolve a administração de
drogas razoavelmente tóxicas, que medidas terapêuticas podem ser
adotadas?
João Silva de Mendonça –
Se a mulher está com a doença ativa, portanto com risco de transmissão
congênita, a primeira atitude é evitar que essa transmissão ocorra. Para
tanto, existe um antibiótico relativamente inocente para a grávida que
se chama espiramicina.
Na sequência, é preciso verificar se o
concepto foi ou não infectado, um passo bastante delicado, porque
implica a coleta de material do líquido amniótico por punção para
pesquisar a presença de componentes do parasita. Esse exame é feito
depois da décima sexta, décima oitava semana de gravidez, e o material
examinado por técnicas avançadas de biologia molecular. Se o feto não
foi infectado, a espiramicina é mantida até o final da gravidez para
reduzir o risco. Se já foi, a única maneira de tratá-lo intraútero é
dando remédios potentes para a mulher. São remédios potencialmente
tóxicos que requerem a avaliação do risco-benefício no sentido de tratar
o feto e evitar os malefícios da toxoplasmose congênita. Como se vê,
são decisões médicas seletivas e complicadas.
Drauzio –
Difíceis
porque têm de levar em conta a vontade da mãe, que destino ela pretende
dar a essa gravidez. Isso cria problemas éticos de solução realmente
complicada.
João Silva de Mendonça –
Cria problemas éticos e temos que respeitar a normatização legal e a
normatização ética que não aceitam a interrupção da gravidez por esse
motivo.
Drauzio –
A toxoplasmose
congênita não é nem discutida como motivo para a interrupção de
gravidez. No entanto, a realidade é que muitas mulheres optam por
interrompê-la nesses casos.
João Silva de Mendonça –
São decisões tomadas meio clandestinamente das quais não devemos
participar. Do ponto de vista legal e ético, nosso comportamento tem de
ser diverso.
Drauzio –
O que devem fazer durante a gravidez as mulheres que têm gato em casa e gostam mais dele do que do marido?
João Silva de Mendonça –
Talvez o melhor procedimento seria fazer o exame de toxoplasmose antes
de engravidar para verificar em que situação se encontra. Se já teve a
infecção, está imune, pode engravidar e deixar o gato à vontade, andando
pela casa, porque não vai pegar a doença outra vez. Se o resultado dos
testes for completamente negativo, indicando que a mulher nunca esteve
exposta a esse parasita, é melhor que se afaste do gato durante a
gravidez.
TOXOPLASMOSE NOS IMUNODEPRIMIDOS
Drauzio –
A
toxoplasmose pode ter características especiais nas pessoas debilitadas
imunologicamente, como os doentes com AIDS ou outras doenças que
provocam depressão da imunidade.
João Silva de Mendonça –
Essa é uma situação que permite traçar um pano de fundo. Quem se
contamina com o parasita da toxoplasmose, durante sua replicação ativa,
apresenta uma fase aguda da doença na qual podem aparecer certos
sintomas como febre e gânglios enfartados. A doença dura algumas semanas
e regride sem maior severidade.
O quadro também pode ser silencioso
e não existir sintoma nenhum. Qualquer que seja a reação – e isso vale
para todos nós – ninguém consegue eliminar o parasita que passa a
conviver conosco de forma latente, residual, em microcistos invisíveis a
olho nu, mas presentes na carne de animais que será utilizada como
alimento e em toda nossa topografia muscular. Isso não é mal. Todos nós
somos assim e eles não costumam dar problemas. Nossa imunidade garante
que fiquem bloqueados.
Se a imunidade cai, a coisa muda de figura. A
pessoa não consegue mais reter o parasita dentro dos pequenos cistos
residuais, e ele volta à atividade sem encontrar barreiras. E, por não
as encontrar, agride o organismo para valer. Agride o sistema nervoso
central, provocando um quadro de encefalite grave. Agride o pulmão,
causando pneumonite. Agride o coração, que é um músculo, e causa a
miocardite. Todas essas são doenças que, se não forem identificadas e
tratadas precocemente, poderão ter consequências desastrosas para a vida
dos pacientes.
Drauzio –
Quais são as principais características da encefalite?
João Silva de Mendonça –
A encefalite ataca o sistema nervoso central e provoca sintomas como
dor de cabeça, febre, perda da noção de relacionamento ambiental,
convulsões, estado de torpor que evolui para coma. É uma doença muito
grave que será fatal se não for diagnosticada e tratada precocemente.
Drauzio –
Qual a diferença entre pneumonite e pneumonia?
João Silva de Mendonça –
Nós, os médicos, preferimos usar a palavra pneumonite para identificar
uma doença do pulmão causada pelo protozoário e diferente da pneumonia
clássica provocada pelo pneumococo. Normalmente, a pneumonite é mais
difusa e compromete o pulmão extensa e bilateralmente, enquanto a
pneumonia é mais segmentar e acomete só uma área do pulmão.
COMPLICAÇÕES OCULARES
Drauzio –
Que complicações oculares importantes a toxoplasmose pode provocar?
João Silva de Mendonça -
A toxoplasmose pode provocar coriorretinite, uma inflamação no fundo do
olho. Se o surto for leve, pode passar despercebido; se for intenso, a
visão fica turva e diminuída. Caso a infecção pelo
Toxoplasma atinja a mácula, pode causar cegueira.
Em geral, a coriorretinite se manifesta na adolescência ou no adulto jovem.
Drauzio –
Existe tratamento para a coriorretinite?
João Silva de Mendonça – O
tratamento é à base de sulfa e pirimetamina. Cortisona pode também ser
indicada para reduzir a inflamação. Não tratada adequadamente, a
coriorretinite pode levar à perda parcial ou total da visão.
INCIDÊNCIA DA INFECÇÃO
Drauzio –
Se considerarmos cem adultos, em média, quantos já terão sido infectados?
João Silva de Mendonça –
Isso varia de região para região. Vamos considerar São Paulo, em
particular. As cifras são altas. Na população adulta, 70%, 80% dos
indivíduos têm exame sorológico identificando infecção pregressa. Em
estados onde o consumo de carne é mais alto como os do sul do Brasil,
por exemplo, os índices ultrapassam os 90%. Na França, sobretudo pela
ingestão de carne de carneiro, um dos animais mais infectados pelo
parasita, o número de infectados se aproxima dos 100%.
Drauzio –
Das pessoas saudáveis que foram infectadas pelo Toxoplasma gondii, quantas ficam doentes?
João Silva de Mendonça –
O adoecimento da toxoplasmose na sua forma clássica com febre, ínguas,
gânglios inchados pelo corpo, que dura semanas, acomete a minoria dos
infectados. Talvez de 10% a 20% dos casos. Portanto, entre 80% e 90% têm
infecção inaparente, silenciosa.
SINTOMAS, EVOLUÇÃO E TRATAMENTO DA DOENÇA
Drauzio –
Vamos
retomar o quadro clínico da toxoplasmose nas pessoas que não são
imunodeprimidas. Quais são os principais sintomas da doença?
João Silva de Mendonça –
Os sintomas mais comuns são febre e, não obrigatoriamente, a presença
de gânglios linfáticos que se avolumam, ficam um pouco dolorosos e podem
ser percebidos pela palpação no pescoço, na nuca, atrás da orelha, nas
axilas e regiões inguinais. A pessoa pode sentir também mal-estar e
dores musculares.
A toxoplasmose é uma doença de evolução lenta,
dura semanas. Nas pessoas com a imunidade elevada, pode ser tratada ou
regredir espontaneamente, isto é, o parasita fica circunscrito numa
situação residual apenas.
Drauzio –
Você
disse que em 80%, 90% dos casos, a infecção é absolutamente
assintomática. Nos 10% ou 20% que restam, as pessoas podem ter sintomas,
mas parte delas se cura espontaneamente sem necessidade de intervenção
médica. Como se elegem os doentes que merecem ser tratados?
João Silva de Mendonça –
Deve-se tratar o paciente sintomático, aquele que manifesta sintomas
prejudiciais e desconfortáveis, uma vez que dessa forma se acelera a
recuperação.
No passado, duas ou três décadas atrás, tínhamos
dúvidas se os remédios específicos usados para a toxoplasmose eram
realmente ativos. Essa dúvida não mais persiste. Basta ver como reage o
paciente com comprometimento imunológico e com neurotoxoplasmose.
Em
se tratando dos imunocompetentes, a doença irá desaparecer sozinha,
depois de um mês, um mês e meio de duração. Entretanto, a prescrição
médica para encurtar esse período será muito útil para os pacientes com
sintomas,
Drauzio –
É um tratamento complicado, de difícil aceitação?
João Silva de Mendonça –
Não é muito complicado. São remédios antigos como a sulfadiazida
associada à pirimetamina, medicamento que já mereceu preocupação quanto
às características de toxicidade. Trinta anos atrás, a medicina usava
pirimetamina sem conhecer direito seus ciclos de metabolismo e
eliminação. Hoje, eles são bem conhecidos e lida-se melhor e com mais
segurança com esse medicamento.
Drauzio –
Durante quanto tempo deve ser mantido o tratamento e a recuperação, quando acontece, é completa?
João Silva de Mendonça –
O tratamento deve ser mantido durante algumas semanas, nunca menos do
que três. A recuperação é completa. A resolução dos gânglios aumentados é
um pouco lenta de tal sorte que a pessoa ainda pode apresentar gânglios
menores do que estavam na fase aguda, embora maiores do que o normal,
mas aos poucos o quadro irá se recompondo.
Drauzio –
Depois
de infectada, curando-se espontaneamente ou com o uso de medicamentos, a
pessoa pode adoecer novamente ou adquire imunidade?
João Silva de Mendonça –
A pessoa passa a ter o parasita residual em seus músculos. Se ela se
expuser novamente, terá o que chamamos de reforço imunológico, sem risco
de adoecimento. Se voltar a adoecer, será por causa de seu próprio
parasita residual, o que geralmente significa queda das defesas
orgânicas.
Link da matéria no site do dr. Drausio Varella - http://goo.gl/quevBF
Abaixo link para um texto sobre quais são as príncipais formas de contágio da Toxoplasmose.
http://goo.gl/mc17ki