segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Caso encerrado. Acordo garante a permanência da poodle Docinho com sua família.



Após meses de angústia, medo e preocupação finalmente o destino da poodle Docinho foi selado e apesar de todos os erros que foram cometidos desde o início do processo que visava retirá-la do convívio de sua família, o final feliz nos alegra e nos deixa orgulhosos de termos participado ativamente deste caso.
Para os que não acompanharam ou não ficaram sabendo uma sucessão de erros e equívocos quase fez com que essa doce cachorrinha fosse expulsa do apartamento em que morava segue o link das duas matérias que fizemos sobre o caso:

https://goo.gl/xDKtcG

https://goo.gl/YOExvi

Caso não se conseguisse garantir a permanência da Docinho em seu lar, este caso além de ferir o direito da família da cachorrinha também  traria um grande prejuízo para outros animais, pois abriria precedentes e poderia ser usado em outros processos semelhantes aonde se tenta expulsar animais indesejados de algum condomínio.

A última cartada após o recurso ter sido negado foi entrar com um pedido de embargos de sentença, porém ao lermos a decisão final da juíza Marli Maria Braga Andrade percebe se que a intenção em negar os embargos é bem clara (leiam no acórdão disponibilizado abaixo).

Diante da pressão exercida através de matérias divulgadas na mídia expondo o absurdo que seria a expulsão da poodlezinha do condomínio o síndico atual propôs um acordo ao advogado da tutora da Docinho e o caso foi encerrado. 
Leiam abaixo o texto contendo a cópia do Acórdão onde se homologou o acordo autorizando a permanência da Docinho junto a sua família:

https://goo.gl/wPXkPP

Matérias que foram importantes no desfecho deste caso:

Jornal O Tempohttps://goo.gl/QPZrbl

Matéria do R7 -  http://noticias.r7.com/minas-gerais/videos/justica-manda-despejar-poodle-docinho-de-condominio-na-grande-bh-25092016

Um abaixo assinado que atingiu cerca de 6.351 apoiadores visando conseguir apoio e pressionar o judiciário para que o caso não tivesse um desfecho negativo também foi criado e encaminhado para a juíza responsável pelo julgamento do processo.

Importante agradecer as protetoras e ativistas mineiras Carol Quelotti, Sharlene Dias, Marielle Motta e Fúlvia MacNog que ajudaram a evitar que o desfecho deste caso absurdo se transformasse em um drama para a família e viesse também a prejudicar outros animais em casos semelhantes.
Agradecimentos também a página da ativista Cristina Uchôa - A Radar Sheila Moura do Grito do Bicho, a Vanessa Norcia voluntária do Anda que também publicaram nossas postagens
 
Em relação as ativistas e protetoras mineiras todas tiveram um importante papel nos enviando informações e também na indicação do Dr. Maurício de Sena Milagres que assumiu o caso a partir do momento que já havia sido julgado desfavorável a Docinho, e que mesmo não sendo especialista em direito ambiental, conseguiu conduzir o processo e a negociação junto ao condomínio para este desfecho positivo que merece ser comemorado por todos que se indignaram com o que poderia ocorrer.
Agradecimentos especiais e todo nosso respeito a este advogado que se mostrou sensível e dedicado na condução de todo o processo que já era dado como perdido quando assumiu. 

De nossa parte fica a sensação de que cumprimos com nosso dever divulgando este caso aqui no blog, orientando e apoiando a tutora da Docinho e elaborando a petição que ajudou no resultado positivo.
Gratidão a todos os nossos leitores e apoiadores que acessaram as matérias anteriores, divulgaram e assinaram o abaixo assinado que fizemos.
Missão cumprida e que a Docinho viva ainda muitos anos na segurança de sua família.


 




terça-feira, 1 de novembro de 2016

A falácia na argumentação de geração de empregos em vaquejadas e rodeios.



 “…o gesto brusco de tracionar violentamente o animal pelo rabo pode causar luxação das vértebras, ruptura de ligamentos e de vasos sanguíneos, estabelecendo lesões traumáticas com o comprometimento, inclusive, da medula espinhal.

A Instrução Normativa 03/2000 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) considera inadequados atos como arrastar, acuar, excitar, maltratar, espancar, agredir ou erguer animais pelas patas, chifres, pelos ou cauda. Ressalta-se a afirmação explicita de não ser permitido erguer animais pela cauda, o que é exatamente o ponto central na vaquejada, com o agravante de que na vaquejada o animal encontra-se em rápida movimentação.

[…] a queda violenta ocasionada durante a vaquejada pode resultar em contusões na musculatura do animal e lesões aos órgãos internos.

[…] O impedimento de fuga de uma ameaça exacerba reações límbicas de ansiedade, medo e desespero. Ainda que o sofrimento físico pudesse ser evitado, a exposição de um animal a uma situação tida por toda a história evolutiva de sua espécie, como a mais grave ameaça à vida, negando ao indivíduo a possibilidade de fuga e acumulando o desconforto visual e auditivo, confirma o sofrimento emocional a que os bovinos são expostos em uma vaquejada.”


Imagem e texto retirado da página Sou Veg por amor aos animais


Hoje 01/11/2016 a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado em uma reunião deliberativa decidiu que o parecer sobre o PLC24/16 deve seguir para votação em plenário em regime de urgência, ou seja decidiram que as torturas e as crueldades praticadas na Vaquejada e no Rodeio deverão vir a ser consideradas patrimônio cultural imaterial no Brasil, o que para nosso horror ainda abre espaço para que a Constituição Federal seja alterada para permitir que práticas que incorrem em maus tratos aos animais deixem de ser criminalizadas através da PEC 270/16 e sejam consideradas atividades esportivas.

Quem tiver estômago e quiser ouvir a farsa dos  discursos dos senhores senadores mentindo sobre a geração de empregos e falando sobre como o nordeste depende das vaquejadas porque é "pobrinho" clica aí embaixo:

https://goo.gl/pujpoZ


Fernanda Tripode

Justificativas “econômicas” e “sociais” para a prática de vaquejadas e rodeios

Estamos nos deparando com a justificativa de empresários da vaquejada que a sua prática “gera 700 mil empregos” em todo o país. Muitas pessoas param para refletir sobre esse argumento. Afinal, considerando a atual situação do país, setecentos mil empregos não é pouco.

Quem é o empregado? “Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário” (CLT, art. 3º).

Interessante notar é que essas pessoas que “param para pensar” nesse argumento dos empresários, imaginam o recolhimento de verbas fundiárias, pagamento de salário, férias, 13º salário, dentre outras verbas trabalhistas para setecentas mil pessoas contratadas sob o regime da CLT, ou seja setecentas mil Carteiras de Trabalho registradas.

Na verdade, sabemos que não é bem isso que ocorre, pois os “empregos” alegados pelos empresários da vaquejada não ocorrem de forma regular, como por exemplo, o recente caso no Parque da Vaquejada de Serrinha (BA), onde o Ministério Público do Trabalho resgatou pessoas que trabalhavam em condição de escravidão. Leia a matéria: http://glo.bo/2dRup3y 

São esses eventuais "empregos" que os empresários da vaquejada se referem. A alegação "social/econômica" para prática de vaquejada e rodeio, ou seja que sustenta famílias e “gera empregos”, é mais uma falácia dos empresários que são os únicos que lucram com a escravidão de animais e eventualmente de seres humanos.

Na realidade, quando eles alegam "empregos diretos", não nos provam registros em CTPS sob o regime da CLT, e quando dizem empregos "indiretos" são apenas prestadores de serviços que muitas vezes estão ligados a shows musicais.

Não podemos esquecer que os eventos de vaquejadas e também rodeios, envolvem além do uso de animais, inúmeras outras atividades, sendo uma delas os shows musicais, sendo esses os que realmente avultam em importância, no que diz respeito à captação de público. O público, em sua maioria, frequenta vaquejadas e rodeios, em razão dos shows musicais.

Se retirarmos os animais desses eventos, podem dar continuidade com igual público, ainda que haja exclusão do uso de animais nas práticas, não havendo prejuízo econômico aos empresários, esses que realmente lucram com os eventos.

Por outro lado, a alegação de que diversas pessoas possam retirar o sustento a partir de vaquejadas ou rodeios, não pode ser uma justificativa plausível para “argumento econômico”.

É de conhecimento que muitas pessoas “sustentam suas vidas e de seus familiares” com recursos advindos de meios ilícitos, tráfico de entorpecentes, tráfico de animais ou mesmo tráfico de armas, são algumas delas. E nem por isso essas atividades se tornam legítimas.

Com relação o argumento “econômico” de uma determinada atividade, em acórdão que reconheceu a crueldade na prática de rodeios, o Desembargador Renato Nalini, nos esclarece o fato do argumento econômico não ser legítimo para justificar lesar animais: “Por tudo isso, não há se argumentar que a decisão vulnera os valores da livre iniciativa e do livre trabalho, pois os particulares não dispõem dessa liberdade absoluta para se conduzir no mercado de produção de bens e serviços da forma que bem lhes aprouver. A Constituição Federal fundou a ordem econômica brasileira na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, mas impôs aos agentes econômicos a observância de várias diretivas, dentre as quais a defesa do meio ambiente não é menos importante - artigo 170, inciso VI, da CF. Isso quer dizer que o bem não pode ser produzido, o serviço não pode ser prestado, e a atividade não pode ser desenvolvida, sem a estrita observância da legislação ambiental”. (TJSP, Apelação Cível n. ° 9229895-64.2003.8.26.0000 -Rel. Des. Renato Nalini, j. 10.11.2011)

E para finalizar essa reflexão, outra questão que também é levantada é o aspecto de “prioridades” em nossa sociedade. Em uma sociedade antropocêntrica e especista, é de fato, normal que essa questão seja levantada, ou seja “por que, num país de problemas sociais tão graves, há pessoas preocupando-se com a integridade física e psíquica dos animais?”. E o Ministro Francisco Rezek, ao preferir seu voto na discussão em Recurso Extraordinário sobre “farra do boi” no Supremo Tribunal Federal, assim nos esclareceu:
 “Esse argumento é de uma inconsistência que rivaliza com sua impertinência. A ninguém é dado o direito de estatuir para outrem qual será sua linha de ação, qual será, dentro da Constituição da República, o dispositivo que, parecendo-lhe ultrajado, deva merecer seu interesse e sua busca de justiça. De resto, com a negligência no que se refere à sensibilidade dos animais anda-se meio caminho até a indiferença a quanto se faça a seres humanos. Essas duas formas de desídia são irmãs e quase sempre se reúnem, escalonadamente.

Não nos é dado o direito de tentar ridicularizar o pedido, de amesquinhá-lo com esse argumento, sobretudo porque os sofrimentos que ainda hoje, para nosso pesar, em nossa sociedade se infligem a seres humanos, não são assumidos como institucionais: constituem algo de que todos se envergonham e que em muitos casos a lei qualifica como crime.
Aqui estamos falando de outra coisa, de algo que é assumido e até chamado de ‘manifestação cultural’. Por isso, a ação não se dirige contra marginais, mas contra o poder público, no propósito de fazê-lo honrar a Constituição” (STF, RE 153.531-8/SC, rel. Min. Francisco Rezek, j. 03.07.1997)

  1- PANICACCI, FAUSTO LUCIANO (promotor de justiça em São Paulo), rodeios e a jurisprudência paulista sobre as práticas que submetem animais a crueldade.

Fonte: Anda

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

VAQUEJADA - Associação Brasileira de Medicina Veterinária Legal se posiciona a favor da decisão do STF



Medicina Veterinária Legal - o que é?

“É  a aplicação dos conhecimentos médicos veterinários aos problemas judiciais”


ABMVL – NOTA PÚBLICA QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DA VAQUEJADA

October 24, 2016

A Associação Brasileira de Medicina Veterinária Legal (ABMVL) vem a público manifestar-se quanto à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4.983, ajuizada pelo Procurador-Geral da República contra a Lei 15.299/2013, do Estado do Ceará.
Destaca a entidade que o senhor Procurador-Geral da República fundamentou a peça inicial que deu origem à ADI 4.983, baseando-se em parecer técnico médico-veterinário emitido pela Professora Dra. Irvênia Luiza de Santis Prada e pela Dra. Vania Plaza Nunes.

Ambas as profissionais são detentoras notório saber e grande experiência profissional em medicina veterinária, o que as habilita para a emissão de tão relevante parecer, o qual teve importância fundamental na decisão proferida. A legislação brasileira deixa clara a participação de peritos em processos judiciais, que emprestam o seu conhecimento técnico-científico e os disponibilizam aos fins do Direito e da Justiça.

A Medicina Veterinária Legal é a especialidade veterinária que trata da atuação do médico veterinário como perito ou assistente técnico, tornando-se uma atividade em franca expansão no país e com importantes repercussões no mundo jurídico. 

O referido parecer técnico se constitui em verdadeira prova material, demonstrando, de maneira clara e detalhada, que os animais envolvidos na prática da vaquejada de fato experimentam dor, sofrimento, estresse e maus-tratos.

A maioria do plenário da Suprema Corte posicionou-se de acordo com esse entendimento, concluindo, portanto, que a vaquejada de fato viola o disposto no Artigo 225, § 1.º, VII, da Constituição Federal, que veda as práticas que submetam animais a crueldade.

Diante do exposto, a ABMVL, por decisão unânime do seu conselho diretor, manifesta apoio irrestrito e confiança no trabalho desenvolvido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADI 4.983, que considerou inconstitucional a prática da vaquejada. A DIRETORIA

Fonte:
https://goo.gl/MwLjZg

Nota: 
Em um momento em que o movimento de defesa animal desnuda o véu que envolve as provas de Vaquejada, e mostra a sociedade o que realmente acontece nos bastidores dos eventos, muitos veterinários que vivem pelas cidades do interior e que são prestadores de serviço para fazendas ou haras que criam animais para estas provas, tem se posicionado favoráveis a elas, convocando inclusive os Conselhos de Medicina de seus estados a se manifestarem contra o posicionamento do CFMV  que comprovadamente expõem os animais a crueldade e aos maus tratos. 

Diversas enquetes e pesquisas demonstram claramente que a sociedade não tolera este tipo de prática e que por mais que digam que é geradora de empregos a argumentação cai por terra, bastando para isso vermos a situação de penúria de muitos municípios que realizam as tais vaquejadas. 
A concentração de renda no nordeste continua bem obrigadO, e os senhores poderosos tão bem representados na novela Velho Chico na figura do Coronel Saruê segue tentando manter seu reinado construído a base da ignorância de um povo e da manutenção da miséria e da quase escravidão.
 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) se posiciona contrário a Vaquejada.


Posicionamento CFMV - 26 de outubro de 2016 

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) manifesta seu posicionamento contrário às práticas realizadas para entretenimento que resultem em sofrimento aos animais.

De acordo com a Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal (Cebea/CFMV), o termo sofrimento se refere a questões físicas tais como ferimentos, contusões ou fraturas, e a questões psicológicas, como imposição de situações que gerem medo, angústia ou pavor, entre outros sentimentos negativos.

O posicionamento contrário às vaquejadas foi apresentado nesta terça-feira (25/10), em audiência na Câmara dos Deputados pela médica veterinária e presidente da Cebea/CFMV, Carla Molento.

“O Conselho Federal de Medicina Veterinária, após longa discussão, deliberou pela posição contrária à prática de vaquejada em função de sua intrínseca relação com maus-tratos aos animais”, disse.

Foto: Ascom/CFMV
A audiência reuniu as comissões do Esporte e de Meio ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.
A apresentação de cada palestrante aos parlamentares tinha tempo inicialmente previsto de quinze minutos. No entanto, diante do grande número de inscritos, houve a decisão para que cada expositor falasse pelo tempo máximo de cinco minutos, o que, de certa forma, prejudicou a apresentação dos argumentos.

O posicionamento expressa a preocupação que Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) mantém em relação ao tratamento adequado aos animais e à criminalidade dos maus-tratos, em consonância com os valores do CFMV: Justiça, Comprometimento, Efetividade, Cooperação, Inovação, Bem-estar único e Saúde Única.

De acordo com a Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal do CFMV, o gesto brusco de tracionar violentamente o animal pelo rabo pode causar luxação das vértebras, ruptura de ligamentos e de vasos sanguíneos, estabelecendo lesões traumáticas com o comprometimento, inclusive, da medula espinhal. 

A Instrução Normativa 03/2000 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) considera inadequados atos como arrastar, acuar, excitar, maltratar, espancar, agredir ou erguer animais pelas patas, chifres, pelos ou cauda. Ressalta-se a afirmação explicita de não ser permitido erguer animais pela cauda, o que é exatamente o ponto central na vaquejada, com o agravante de que na vaquejada o animal encontra-se em rápida movimentação.

“Dessa forma, não encontramos justificativas para que os praticantes de vaquejada realizem atos considerados inadequados e não permitidos pelo Mapa, ainda que em outra situação. Tal ausência de justificativa aparece, em especial, porque tal outra situação se refere a uma prática de lazer dentre inúmeras outras e, assim, de importância menor se comparada à produção de alimentos”, diz o parecer.

 De acordo com a Cebea/CFMV, a queda violenta ocasionada durante a vaquejada pode resultar em contusões na musculatura do animal e lesões aos órgãos internos.

A Comissão ressalta ainda que, por ser um animal de pastoreio, presa frequente de carnívoros na natureza, o sentido dos bovinos foi desenvolvido para rápida percepção de fuga e predadores, sendo esse o comportamento da espécie quando diante de riscos.

 “O impedimento de fuga de uma ameaça exacerba reações límbicas de ansiedade, medo e desespero. Ainda que o sofrimento físico pudesse ser evitado, a exposição de um animal a uma situação tida por toda a história evolutiva de sua espécie, como a mais grave ameaça à vida, negando ao indivíduo a possibilidade de fuga e acumulando o desconforto visual e auditivo, confirma o sofrimento emocional a que os bovinos são expostos em uma vaquejada”, afirma o parecer.

Assessoria de Comunicação do CFMV

Fonte:
https://goo.gl/PyZcEW

Nota:
Os que quiserem assistir a audiência é só entrar neste link abaixo:
https://goo.gl/sZMgDK
 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Carta ao Senador Romário - Pelos animais, pela vida, pela coerência.


Foto O Globo - Cesar Loureiro

Ontem dia 18/10/2016 a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado (Secretaria de Apoio a Comissão de Educação, Cultura e Esporte) deveria ter votado o parecer sobre o PLC 24/16  de autoria do Deputado Capitão Augusto, que tem como proposta elevar Vaquejadas e Rodeio a condição de manifestação cultural nacional e de patrimônio cultural imaterial.
Graças a pressão exercida pelos protetores e ativistas da causa de defesa animal conseguiu se adiar a votação com um pedido de vistas feito pelos senadores Antonio Anastasia e Cristóvam Buarque.
Segundo informações foram recebidos pelos senadores cerca de 5 mil emails pedindo que votem contra a proposta. 

Como representante da causa ontem no Senado Federal pudemos contar com a presença do ativista vegano George Guimarães - Veddas que fez uma peregrinação pelos gabinetes de diversos senadores expondo a gravidade desta proposta de lei para os animais, principalmente após o Supremo Tribunal Federal ter concedido a condição de inconstitucionalidade da lei 15299/13 que regulamentava a vaquejada no estado do Ceará.
Com o entendimento da Corte Máxima do país, a vaquejada passa a ser considerada uma prática ilegal, relacionada a maus-tratos a animais e, por portanto, proibida.
Ganhamos algum tempo para poder agir contra o PLC 24/16 porém longe de podermos contar vitória.
Vamos continuar a exercer pressão sobre os senadores e sobretudo no Senador Romário, presidente desta  comissão.
Pedimos a todos os ativistas e protetores que enviem emails de forma ponderada e contundente ao mesmo tempo. Vamos evitar ataques porque temos que trazer os senadores para nosso lado.

Enviem um e-mail para os senadores da Comissão:

romario@senador.leg.br; fatima.bezerra@senadora.leg.br; angela.portela@senadora.leg.br; cristovam.buarque@senador.leg.br; lasier.martins@senador.leg.br; paulopaim@senador.leg.br; wilder.morais@senador.leg.br; gladson.cameli@senador.leg.br; simone.tebet@senadora.leg.br; joao.alberto.souza@senador.leg.br; rose.freitas@senadora.leg.br; dario.berger@senador.leg.br; jader.barbalho@senador.leg.br; jose.agripino@senador.leg.br; alvarodias@senador.leg.br;antonio.anastasia@senador.leg.br; dalirio.beber@senador.leg.br; lidice.mata@senadora.leg.br; robertorocha@senador.leg.br; cidinho.santos@senador.leg.br; eduardo.amorim@senador.leg.br; pedrochaves@senador.leg.br
 
Participem da consulta pública disponível no site do Senado votando CONTRA o PLC 24/16
https://goo.gl/oW0tck

EsquadrãoPet 
 
Gostaríamos de dividir com nossos leitores uma carta muito apropriada enviada para o Senador Romário. Leiam e inspirem-se.

Prezado Senador Romário,

Ser um bom congressista é um imenso desafio.

Afinal, o “povo”, a quem o senhor representa, é um conjunto heterogêneo de indivíduos com múltiplas semelhanças, mas também, muitas diferenças. Impossível agradar a todos!
No entanto, coerência é tudo.
Seus mandatos têm primado pela coerência na defesa, por exemplo, das pessoas com deficiências e necessidades especiais. Um trabalho de indiscutível valor.

Mas há questões nas quais, compreensivelmente, não existe consenso. Uma dessas questões é a que envolve as leis de proteção aos animais. Neste âmbito, o senhor certamente recebe demandas as mais diversas – tanto daqueles que defendem o bem-estar dos animais, e o efetivo reconhecimento de seus direitos enquanto seres vivos e sencientes, quanto daqueles que alegam os mais diversos motivos para perpetuar as práticas que os exploram e expõem a crueldades.

A esse último grupo, pertencem os entusiastas da vaquejada. Tradição cultural, esporte, “patrimônio do Nordeste” – é possível atribuir qualquer nome a um ato que, em essência, não passa de... crueldade! 
Por favor, não pare de ler, Senador. É sério!

O senhor sabe que, em muitos países, apedreja-se a mulher que trai o marido, certo? É tradição. Mas é inaceitável. Há países nos quais o ladrão tem a mão decepada. É aceitável? Não.
Faz parte da cultura dos povos que seguem o Código de Hamurabi, mas é intolerável, pois degrada a pessoa. Mais que isso, rebaixa a humanidade. É cruel. O mesmo se aplica à vaquejada e a tantas outras práticas que utilizam animais como se fossem coisas.
Senador, eu lhe pergunto: em que medida o costume de derrubar um quadrúpede de meia tonelada no chão pode ser razoável? Como isso pode ser “divertido” e “cultural”?

Eu sei que o senhor e seus pares são assediados por gente que alega “importância econômica”, “tradição”, “regulamentação que evite maus-tratos”.
Porém, sejamos francos: tudo isso é hipocrisia.
A verdade é que existem meia dúzia de pecuaristas que lucram muito com esses espetáculos de horror, pois estes são eficientes “vitrines” para seus “produtos”. Nada contra o lucro, mas imagine, Senador Romário, se esta lógica tivesse impedido a luta dos abolicionistas que tanto fizeram para acabar com uma das mais antigas e lucrativas tradições do mundo – a escravidão?

A violência contra o animal é indefensável porque ela é imposta de maneira arbitrária a um ser que não pode falar por si mesmo; ela dessensibiliza os humanos envolvidos; ela legitima a dor e a humilhação como coisas “engraçadas”, que podem ser impostas pelo detentor do poder aos seus subjugados.

Como ensinar à criança que é errado ela praticar bullying, envolver-se em brigas corporais e impor-se aos colegas, se ela vê os adultos fazerem exatamente isso contra animais que não escolheram “entrar no ringue”?
Para efeito de comparação: será que o uso de capacetes e joelheiras pelos fraquinhos da escola tornaria aceitável que eles fossem surrados pelos “valentões”?
É isso que se pretende quando se fala em “regulamentar” vaquejadas e rodeios...
Pode realmente um congressista, que deveria dar o exemplo e legislar para todos, reconhecer como “patrimônio cultural” um embate de pseudo valentões contra seres que não têm voz para se defender? Senador, pergunte-se: o senhor acha mesmo que vaquejada é esporte?
Sua carreira foi no futebol, um desporto baseado na disputa igualitária – 11 pessoas de cada lado, em condições semelhantes, vencendo graças ao talento e ao esforço.
Como chamar vaquejada de “esporte”? 

Cada um deve votar conforme a própria consciência. E, embora entre o preto e o branco existam muitas tonalidades de cinza, há questões nas quais a diferença entre o certo e o errado é tão patente, é tão óbvia, que não resta espaço para dúvidas. O PLC 24/2016 é o oposto a tudo o que é bom, compassivo, certo, justo.  
Seu lugar deve ser na lata de lixo da História. 

Atenciosamente, Silvia Luiza Lakatos Varuzza 
Jornalista e historiadora
RG 19.607.530-0