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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Devido ao aumento da demanda de animais para testes CNPQ cria a REBIOTÉRIO.



Essa chamada para a criação desta rede de biotérios - Rebiotérios - é mais uma prova de que é necessário se tomar muito cuidado com certas comemorações na nossa causa. 
Não devemos nos esquecer jamais que políticos adoram nos enganar com seus marketings embaladinhos para causar muitos aplausos e elogios!!!
No ano passado foi amplamente divulgado e comemorado por parte da proteção animal,  a aprovação no congresso de uma  lei que proibiria os testes em animais em todo o território nacional, porém com o tempo descobriu se que tudo não passava de uma grande falácia. 
O trabalho para desmontar este tipo de divulgação falaciosa nem sempre é fácil, porque nem todos se dão ao trabalho de ler nas entrelinhas ou entende de legislação.
A verdade é que demanda por animais para serem usados em testes está maior do que a produção  no Brasil, ou do contrário essa notícia aí embaixo não existiria.
EsquadrãoPet



CNPQ anuncia a criação da Rede Nacional de Biotérios de Produção de Animais para Fins Científicos, Didáticos e Tecnológicos (Rebiotério). Objetivo será estimular a produção e a qualidade de biotérios de ratos, camundongos e coelhos para atender de forma adequada e organizada à demanda nacional.

Foto divulgação Alesco
Suporte para biotérios 

ED. 230 | ABRIL 2015

© LÉO RAMOS
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) anunciou a criação de uma rede nacional de biotérios – viveiros onde são criados e conservados animais empregados em experiências de laboratório. O objetivo da Rede Nacional de Biotérios de Produção de Animais para Fins Científicos, Didáticos e Tecnológicos (Rebiotério) será estimular a produção e a qualidade de biotérios de ratos, camundongos e coelhos para atender de forma adequada e organizada à demanda nacional. “O entendimento é de que o uso de animais ainda é imprescindível nos testes in vivo e que hoje existe um desequilíbrio entre a oferta e a procura no país, em razão do aumento considerável da produção científica nacional”, informou o CNPq em comunicado. A instituição, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), irá mapear, monitorar e dar suporte à produção de animais, além de cadastrar todos os biotérios no país. De acordo com Marcelo Morales, diretor da área de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do CNPQ e coordenador da Rebiotério, atualmente a produção de animais para fins de pesquisa é feita em apenas alguns biotérios, que trabalham para atender as próprias necessidades e não dão conta de auxiliar outras instituições. Segundo ele, há pesquisadores que têm de esperar de dois a cinco meses para receber animais de qualidade e que possam ser utilizados em experimentos científicos.

Fonte:
Fapesp


Nota:
Uma campanha foi criada para que o PL 6602/13 de autoria do deputado Ricardo Izar não seja aprovado no senado e o blog fez parte deste movimento.
Para os que ainda não se interaram do assunto segue o link do site:
http://www.alterapl6602.veddas.org.br/ 



 

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Chip de plástico pode diminuir drasticamente uso de animais em testes.

Ilustração autor desconhecido
Vanessa Daraya

Um pequeno chip de plástico pode diminuir drasticamente os experimentos feitos em animais. Essa é a ideia da startup Emulate, que planeja investir 12 milhões de dólares para tornar viável a produção de uma tecnologia criada por cientistas da Universidade de Harvard.

A Organs-on-Chips (Órgãos-em-Chips, em tradução livre), desenvolvida no Instituto Wyss, é feita para imitar órgãos humanos. Até agora, os testes foram bem sucedidos na reprodução de pulmão, fígado, intestino, rim e medula óssea. Mas o objetivo é recriar todos os órgãos do corpo.

Os chips são integrados a um sistema com fluidos de células imunológicas. Dessa forma, é possível testar e avaliar os efeitos de novos medicamentos em células específicas e suas consequências no organismo.




Divulgação/Harvards Wyss Institute

O chip de pulmão, por exemplo, tem canais revestidos por paredes formadas por tecido proveniente de um pulmão humano e vasos sanguíneos. Quando é aplicada uma espécie de sucção no local, a parede simula o movimento do órgão durante a respiração. 

A tecnologia não é nova. Os bioengenheiros têm trabalhado nela há cinco anos. Mas a criação da startup para conseguir comercializar os chips é recente. Se der certo, será uma ótima notícia para os animais.

Todos os anos, mais de 100 milhões de sapos, gatos, cães, ratos, camundongos e coelhos são usados ​​em experimentos. E os testes podem não ser tão produtivos quanto o esperado. Como o organismo dos animais é muito diferente dos seres humanos, nem sempre os experimentos têm resultados eficazes.

A Organs-on-Chips pode ajudar a resolver esse problema ao tornar os testes mais eficientes.

Em nota, a Emulate afirma que planeja propiciar uma avaliação mais rápida e precisa das respostas humanas a medicamentos e cosméticos, além de criar novas ferramentas de orientação clínica para terapias personalizadas nos pacientes.


Fonte:
INFO Online 

Abaixo o vídeo que explica como o microchip de plástico simula em um pulmão-on-a-chip uma abordagem in vitro para o rastreio de drogas, imitando os comportamentos mecânicos e bioquímicos complicados de um pulmão humano.
Para maiores informações acessem http://wyss.harvard.edu/viewpage/461/





Nota: 
Os avanços estão aí para que os animais sejam poupados de serem utilizados, muitas vezes inutilmente, em testes para cosméticos, medicamentos e em vivissecções. Resta saber se o poderio econômico daqueles que mantém os biotérios para o fornecimento destes seres indefesos vão permitir que o progresso de fato deixe de ser algo que lembra ficção científica para se tornar  realidade nos laboratórios e nas instituições de ensino. Sem pressão dos ativistas pelos animais e de legislações que realmente façam com que essas práticas sejam abandonadas com certeza isso não acontecerá!!! 
Obs:
Porém todo cuidado é pouco já que o assunto hoje rende muito marketing e os políticos oportunistas e marqueteiros tem demonstrado que não são nada confiáveis e que farão de tudo para aparecer como legisladores preocupados com este tema, mas que na verdade estão pensando apenas nos votos que podem conseguir iludindo aqueles que defendem os animais e querem o fim da utilização dos mesmos para os testes. 





sábado, 23 de agosto de 2014

Pamela Anderson se recusa a participar do desafio do balde de gelo. Vejam porque!!!




terça-feira, 22 de julho de 2014

Ativistas e autoridades que se opõem ao PL6602/13 sofrem ameaça de processo.



Desde que a notícia da aprovação do PL6602/13 foi divulgada, surgiram opositores a ele e hoje o movimento já conta com milhares de assinaturas em uma petição organizada pela Ong Veddas. 
Aqui no blog e em nossa página do facebook temos divulgado vários materiais sobre o tema e pedido adesão aos que defendem e amam os animais para que assinem essa petição.  
Sites, blogs e revistas eletrônicas ligados ao movimento tem publicado matérias para esclarecer o posicionamento de quem é opositor a este PL também de forma muito focada e esclarecedora.
Uma das últimas postagens aqui no blog explica detalhadamente porque somos oposição ao projeto de lei em questão http://goo.gl/eRw4uP .
Ativistas, advogados, juízes, promotores, veterinários, autoridades, biólogos, cientistas, filósofos, blogueiros, presidentes de Ongs, de grupos e coletivos, etc....  tem se posicionado contra e explicado seus motivos http://goo.gl/1e7gwQ . Muitas dessas pessoas com um histórico de décadas no movimento de defesa animal dando sua opinião e se posicionando publicamente sem nenhum anonimato tem sido atacadas e ameaçadas até mesmo de agressão física por defensores deste projeto de lei.

E eis que surge uma nota onde quem se posiciona contra o PL6602/13 está sendo ameaçado de ser processado pelo deputado Ricardo Izar, como podem ver no print logo abaixo.   




Pela lógica deveríamos então nos calar e engolir goela abaixo o PL6602/13 cujo teor foi totalmente modificado em negociação com o Governo/Concea como declarou em vídeo  e mesmo em texto o ilustre representante da Frente Parlamentar de Defesa dos Animais? 
Muito natural que tenha surgido forte oposição a este projeto de lei para que não seja aprovado no senado, afinal ele regulamenta os testes em animais para cosméticos ao invés de proibi-los, como era proposto no texto original que foi jogado no lixo. 

Abaixo o posicionamento da página Altera PL6602/13http://goo.gl/3UJgsd que resume bem o que pensamos sobre essa ameaça. 



Nota:
Será mesmo essa ameaça uma boa estratégia para quem diz representar um segmento da sociedade que tem tido tanto destaque na mídia ultimamente?  
Será mesmo uma boa estratégia, para quem diz defender os animais, e declarou que o PL6602/13 só foi aprovado no congresso porque houve negociação com o governo/Concea se colocar contra estes opositores? 
Deputado talvez você não saiba, mas está ameaçando pessoas que estão há décadas nessa causa. Repense essa sua postura ou troque de assessoria muito rapidamente.




segunda-feira, 14 de julho de 2014

PL 6602 mantém os testes cosméticos em animais no Brasil - Camaleão.org

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Porque somos contra a aprovação do PL6602/13 cujo teor foi totalmente modificado.




LEIAM. ENTENDAM. ASSINEM A PETIÇÃO. DIVULGUEM.  


 TEXTO DE INTRODUÇÃO À PROBLEMÁTICA DO PL 6602/2013

O Projeto de Lei 6602/13, aprovado na forma do seu substitutivo com a aceitação do autor do projeto de lei original, traz graves retrocessos à pouca proteção já conferida aos animais. No entanto, o texto foi encaminhado em junho de 2013 para a apreciação do Senado Federal que tem a opção de alterá-lo, impedindo a concretização do dano que ele representa.

        Trazendo a proposta inicial de acabar com os testes em animais para fins cosméticos no Brasil, o projeto de lei original vinha ao encontro dos anseios da sociedade brasileira. Porém, o texto final aprovado foi um texto que traz um adendo ao texto original, chamado de “substitutivo”, que nasceu de um acordo feito em reunião fechada entre o autor do projeto de lei, um consultor e representantes do governo que têm interesses diretos na perpetuação da experimentação animal. Infelizmente, as alterações propostas por esses representantes da indústria da vivissecção foram aceitas com o aval do autor da proposta, sem consulta à sociedade ou ao movimento que há anos trabalha para abolir os testes em animais no país. O resultado desse acordo foi um texto desastroso, que ao alterar poucas palavras acabou por regulamentar a experimentação animal e perpetuá-la colocando em jogo muitas conquistas já consolidadas há mais de uma década e impedindo o desenvolvimento de novas iniciativas que vêm se mostrando frutíferas nos últimos meses.

         Isso porque o texto aprovado proíbe os testes de substâncias que tenham efeito já conhecido, mas autoriza os testes em produtos que tenham efeitos desconhecidos por um período de até cinco anos e que somente começa a ser contado após o reconhecimento da técnica alternativa, o que na prática significa muito mais do que cinco anos pois quem pode “reconhecer” como válida a técnica alternativa são órgãos administrados por pessoas que têm total interesse na continuidade desses experimentos e que até hoje, seis anos após a aprovação da lei que determinou a criação de tal órgão, teve uma atuação que deixa a desejar no que diz respeito ao reconhecimento de métodos alternativos. Como se vê, o texto aprovado pela Câmara dos Deputados em nada inova e ainda deixa nas mãos dos próprios interessados na perpetuação da prática a tarefa de regularem as suas atividades.

         Ocorre que a legislação atual já criminaliza o uso de animais quando houver recursos alternativos. Trata-se da Lei de Crimes Ambientais (9.605/1998) que em seu artigo 32 determina a pena de detenção e multa para “quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos”.

         Ou seja, a experimentação em animais em situações onde já exista métodos alternativos já é considerada crime desde 1998 e isso se aplica a qualquer método já existente, sem ter que esperar por cinco anos após a validação do método. Se alguém desejaria alterar o texto da lei existente desde 2008 são justamente aqueles que desejam flexibilizar as regras para torná-las mais permissivas ao uso de animais. Tal texto não poderia jamais servir aos interesses dos animais e alegar que a única possibilidade seria esse texto ou nada, obviamente a opção que serve aos interesses dos animais é nada, pois apesar de ainda ser escassa a legislação que os proteja, essa pouca legislação deve ser preservada e não destruída.

         Até mesmo a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que aliás foi um dos órgãos representativos do governo presentes na reunião que resultou no texto substitutivo ao PL original) obriga o uso de animais somente quando não houver métodos alternativos validados. Uma mudança na legislação federal que determine o prazo de cinco anos para cessar o uso de animais para cada nova substância a partir da validação de um método alternativo, conforme determina o PL 6602/13, obrigaria a ANVISA a alterar essa regra para torná-la mais permissiva ao uso de animais.

         Em suma, a nossa legislação federal já criminaliza, de imediato, o uso de animais na presença de uma técnica alternativa e o texto aprovado pela Câmara dos Deputados representa nada mais do que um retrocesso e faz isso sem acrescentar qualquer avanço em qualquer ponto que seja.

         O PL 6602/13 altera a Lei Arouca (11.794/08), aprovada há seis anos com a única intenção de valorizar e regulamentar a indústria da vivissecção garantindo assim a “segurança” da qual precisa para poder atuar. Ela em nada serve aos interesses dos animais. Na indesejada eventualidade da aprovação pelo Senado Federal do texto do PL 6602/13 em sua forma aprovada pela Câmara dos Deputados, a Lei Arouca se tornaria ainda mais forte. Reformas e emendas não a tornarão melhor, quanto mais aquelas da natureza vista no PL 6602/13.

         Diante disso, propomos a apresentação de um novo projeto de lei, verdadeiramente abolicionista, sem concessões vistas no texto atual e sem dar margem a interpretações distorcidas.

         A campanha #alterapl6602 reúne a opinião de especialistas e traz um abaixo-assinado em apoio à carta que será enviada ao Senado Federal pedindo a alteração do texto aprovado pela Câmara dos Deputados.


        Leia a opinião dos especialistas ou envie o seu parecer caso seja da área jurídica ou outra área relacionada à temática dos direitos animais.

         Veja a Carta dirigida ao Senado Federal e ASSINE a petição que demonstra o seu apoio aos argumentos expostos nessa campanha.

         Declare o apoio do seu grupo ou organização.



Nota: 
Amplamente comemorado nas mídias sociais, sites e blogs a aprovação do  PL6602/13 não passou de um grande golpe de marketing político. Os testes para cosméticos não foram proibidos como queria o movimento porque na verdade o texto original que era o anseio do movimento foi totalmente modificado e isso vem provocando uma intensa mobilização para que este PL não seja aprovado no senado.

Todo este material, incluindo artigos que vem sendo publicados em sites e blogs relacionados a essa mobilização encontra-se disponível no site http://www.alterapl6602.veddas.org.br/






 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

ENTENDA COMO O PL 6602/13 PODE ABRANDAR A LEI DE CRIMES AMBIENTAIS.





Em uma postagem anterior aqui no nosso blog publicamos o parecer jurídico da conceituada Dra.Vanice Orlandi, em relação ao PL 6602/13 e o risco do abrandamento da lei de crimes ambientais.  http://goo.gl/dMWQkq
Porém, após a publicação de um texto nas mídias sociais, mais especificamente no facebook, escrito por uma advogada desconhecida do movimento (apesar de termos pedido referencias de sua atuação no movimento de defesa dos animais no nosso país, não obtivemos resposta) que alega não existir essa possibilidade, e um outro, na forma de uma nota de repúdio aos opositores do PL6602/13, assinada pelo próprio deputado Ricardo Izar, http://goo.gl/ZTxu81 (como essa nota foi deletada da fanpage do deputado tivemos que disponibilizá-la em pdf. ) onde alega se que, quem afirma que o referido projeto de lei  provoca o abrandamento da lei de crimes ambientais é despreparada juridicamente, achamos por bem fazer uma nova postagem sobre o mesmo tema.
Reiterando o posicionamento da Dra. Vanice Orlandi sobre a questão, publicamos um novo texto para ajudar aqueles que ainda tem alguma dúvida ou mesmo não entenderam a gravidade que envolve a aprovação do PL6602/13 no seu formato atual.
EsquadrãoPet


ENTENDA COMO O PL 6602/13  PODE ABRANDAR A LEI DE CRIMES AMBIENTAIS.

Reportando-me uma vez mais ao PL Federal nº 6602/2013, de autoria do Deputado Ricardo Izar, que pretende alterar a Lei Arouca, reitero minhas considerações já feitas no tocante ao abrandamento da Lei de Crimes Ambientais. Se aprovado, o tal projeto restringirá sim a aplicação de seu art. 32, §1º, em virtude da excludente de ilicitude criada por um dos dispositivos do texto votado.
Relembre-se que o projeto de lei foi aprovado pela Câmara dos Deputados na forma de seu substitutivo, que apenas proíbe a utilização de animais para o desenvolvimento de produtos cosméticos, de higiene pessoal e de perfumes “quando os ingredientes tenham efeitos conhecidos e sabidamente seguros ao uso humano ou se tratar de produto cosmético acabado, nos termos da regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária”.
No caso de substâncias com efeitos desconhecidos, os testes estão liberados e, repito, com um agravante desastroso: testes poderão ser realizados, pelo período de cinco anos após o reconhecimento de técnica alternativa capaz de comprovar a segurança para o uso humano das referidas substâncias.
Atualmente, responde por crime o agente que submete animal a experimento doloroso ou cruel, como são os testes de cosméticos e de higiene pessoal, existindo recurso alternativo. Se referido projeto tornar-se lei, no caso de testes de substâncias de efeitos desconhecidos, o agente não responderá, a menos que esse método tenha sido reconhecido como tal há mais de cinco anos, restrição que hoje não se encontra na nossa legislação.
É o que se depreende da própria leitura do projeto, sem precisar recorrer às técnicas de hermenêutica, ou a outras perfumarias jurídicas. Desde que alfabetizado e dotado de uma inteligência mediana, o interessado conseguirá chegar a essa conclusão.
Convém ainda registrar que não falei em revogação, mas em excludente de ilicitude, que são figuras bem diversas.
Na excludente de ilicitude, embora o fato permaneça típico, já que continuará descrito como delituoso na lei penal do art. 32, não haverá crime em razão da ilicitude que ficou excluída pela nova norma. E sendo a ilicitude um requisito do crime, fica excluído o próprio delito.
Insisto, portanto, se aprovado, o projeto virá em prejuízo da legislação já existente, em virtude da exclusão de ilicitude instituída pela norma.
E aos sonhadores, teóricos de pouca vivência na Proteção Animal, lamento informar que as leis desfavoráveis aos animais não são banidas do ordenamento jurídico, por afrontarem a norma constitucional que veda a crueldade com animais. Apesar de serem inconstitucionais, estão todas aí, em plena vigência, como a própria Lei Arouca, permissiva de vivissecção, dentre outras normas que legalizaram os abates, os rodeios, as vaquejadas, as provas de laço, a eliminação de cães e gatos errantes dentre muitas outras formas de exploração dos bichos.

Vanice Teixeira Orlandi
Advogada
Presidente da UIPA
UNIÃO INTERNACIONAL PROTETORA DOS ANIMAIS




domingo, 8 de junho de 2014

A aprovação do PL 6602/13 e a ilusão do fim dos testes em animais no Brasil.





Vanice T. Orlandi
Presidente da UIPA/SP

TESTES EM ANIMAIS: DEPUTADOS FEDERAIS APROVAM PROJETO QUE PODE ABRANDAR A APLICAÇÃO DA LEI DE CRIME DE MAUS-TRATOS

Há oito meses, tramitava em Brasília o projeto de lei nº 6602/2013, que propunha mudanças na redação de alguns artigos da Lei Federal nº 11.794/2008 (Lei Arouca), com o objetivo de vedar a utilização de animais em pesquisas e em testes para o desenvolvimento de produtos cosméticos.

Entretanto, o projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados na forma de seu substitutivo, que apenas proíbe a utilização de animais para o desenvolvimento de produtos cosméticos, de higiene pessoal e de perfumes “quando os ingredientes tenham efeitos conhecidos e sabidamente seguros ao uso humano ou se tratar de produto cosmético acabado, nos termos da regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária”.

No caso de substâncias com efeitos desconhecidos, os testes estão liberados, e com um agravante: testes podem ser realizados, pelo período de cinco anos após o reconhecimento de técnica alternativa capaz de comprovar a segurança para o uso humano das referidas substâncias.

Essa permissão representa um desastre para a aplicação da lei de crimes ambientais, no tocante à utilização de animais em testes. Isso porque o artigo 32 da Lei Federal nº 9.605/98, em seu §1º, considera crime de maus-tratos submeter animal vivo a experiência dolorosa ou cruel, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos. É forçoso reconhecer, portanto, que o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados abrandou a incidência da lei, excluindo a ilicitude de quem pratica o crime ali descrito, durante o período de cinco anos após o reconhecimento de um recurso alternativo.

Criou-se uma excludente de ilicitude, que atenuou a abrangência da lei ambiental. Atualmente, responde por crime o agente que submete animal a experimento doloroso ou cruel, como são os testes de cosméticos e de higiene pessoal, havendo recurso alternativo. Se referido projeto tornar-se lei, o agente não responderá, a menos que o método alternativo tenha sido reconhecido como tal há mais de cinco anos.

Outras vedações contidas no projeto já constam da Lei Federal nº 11.794/2008, que está em vigor, como a proibição de bloqueadores neuromusculares ou de relaxantes musculares em substituição a substâncias sedativas, analgésicas ou anestésicas e a reutilização do mesmo animal depois de alcançado o objetivo principal do projeto de pesquisa. Outro dispositivo que já se encontra na lei vigente refere-se ao emprego de procedimentos traumáticos, em programa de ensino, enunciando que vários procedimentos poderão ser realizados num mesmo animal, desde que sejam executados durante a vigência de um único anestésico, e que o animal seja sacrificado antes de recobrar a consciência.

Bom seria que o projeto tivesse sido votado pela Câmara dos Deputados com sua redação original. Resta saber se haverá meios de retomar no Senado seus propósitos iniciais, bem valorosos em sua origem.

O projeto na íntegra e seu substitutivo estão em:




No dia 05/06/2014 o Projeto GAP também se manifesta.

Dr. Pedro A. Ynterian
Presidente, Projeto GAP Internacional

Desvirtuado Projeto de Lei de testes em animais.

Um projeto  de Lei que tramitava na Câmara dos Deputados, de autoria do Deputado Ricardo Izar, foi aprovado ontem com uma emenda que desvirtua em grande parte a intenção do projeto original. A emenda ao projeto permite o uso de testes em animais de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal quando são testados ingredientes desconhecidos ou novos nas fórmulas.
Na realidade é aí que é feita a maior parte dos testes em animais, já que, para introduzir qualquer componente químico em uma formulação de um produto final, deve-se provar às autoridades sanitárias que o novo ingrediente não é nocivo para o usuário humano, que é substituído pelo animal no teste.
Também uma emenda que evitaria a entrada no país de produtos similares produzidos no exterior e que são testados em animais foi  rejeitada.
Isto permite que países onde ainda não existe uma legislação rigorosa para uso de animais em testes de laboratórios se beneficiem, e animais em outras latitudes sejam torturados e sacrificados para produtos consumidos no Brasil.
É importante que esse projeto que vai para o Senado Federal seja rediscutido. Seu espírito original deve ser restabelecido e deve ser incluída a proibição de entrada no país de qualquer produto testado em animais, assim como eliminar as exceções de testes em ingredientes novos, que  desvirtua totalmente o projeto original do Deputado Izar.



Nota:
A ingenuidade e a imaturidade do movimento de proteção animal no Brasil, há tempos vem sendo usada por determinados políticos e por marqueteiros das mais variadas espécies. E nesta semana a notícia da aprovação do PL 6602/13, de autoria do Deputado Federal Ricardo Izar, fez com que houvesse uma comemoração ruidosa e equívocada de algo muito longe de representar um avanço para os animais, e que com certeza está longe de ser motivo de comemoração como temos avaliado. E lendo o texto da Dra. Vanice Orlandi  percebemos que o mais grave é saber que a aprovação deste PL, além de não impedir a continuidade dos testes, ainda se mostra nocivo ao pouco de proteção que existia para resguardá-los. Este substitutivo que foi aprovado na calada da noite, não permitiu ao movimento o conhecimento e a possível discussão de sua íntegra, colocando os animais em uma situação ainda pior do que já se encontravam. Constata-se que algo muito grave aconteceu, pois apesar do PL original ter sido elaborado por lideranças do movimento, o texto aprovado acabou sendo outro, totalmente modificado, restam nos então as seguintes perguntas: 
-a que interesses se presta esse PL que não passa agora de um arremedo do que inicialmente foi  proposto? 
-o lobby dos laboratórios, da indústria  farmacêutica e de cosméticos foi mais eficaz do que as  lideranças da  causa? 
-o movimento se tornou conivente e subserviente a essas indústrias? 
 -quais lideranças assumirão a tarefa de levar adiante essa luta e impedir que o PL siga para aprovação no senado e provável sanção da presidente Dilma?
E agora José???